Noyade
Les dents serrées, les yeux mi-clos,
Je me dévêts avec lenteur,
Et referme sur moi l'enclos
Psychique d'un voeu destructeur.
Sur le sol glacé je m'étends
Et, souillé de mes déjections
Mentales et physiques, je tends
A l'auto-purification.
Mon corps se traîne jusqu'au lieu
Où l'eau arrache le manteau
De sueur à l'homme, et ses cristaux
De déchets odorants et bilieux.
Le regard voilé par une pluie
De poignards liquides et salés,
Je berce la lame qui luit,
Promesse encore immaculée.
La chair dévoile ses mystères,
Offrant à la morsure intime,
La grâce bleutée des artères
Gonflées en un appel ultime.
Coule ma vie, coule mon sang !
Nourrit ce tombeau de faïence.
Je m'unis à lui par alliance,
Et me vide en le remplissant.
A mon sang se mêlent l'urine,
La sueur, les larmes, les excréments.
Le niveau atteint ma poitrine
Et monte inexorablement.
Affaibli, je ne peux hisser
Ma tête hors du bain transvaseur .
Suffoquant, seul, à mort blessé,
Les secondes me semblent des heures.
Afogamento
Os dentes cerrados, os olhos semi-fechados,
Vou me despindo devagar,
E fecho sobre mim o cercado
Psíquico de um desejo destrutivo.
No chão gelado eu me estendo
E, sujo das minhas defecções
Mentais e físicas, eu me estendo
Para a auto-purificação.
Meu corpo se arrasta até o lugar
Onde a água arranca o manto
De suor do homem, e seus cristais
De resíduos fétidos e biliosos.
O olhar turvado por uma chuva
De punhais líquidos e salgados,
Eu embalo a lâmina que brilha,
Promessa ainda imaculada.
A carne revela seus mistérios,
Oferecendo à mordida íntima,
A graça azulada das artérias
Inchadas em um chamado final.
Corre minha vida, corre meu sangue!
Alimenta este túmulo de cerâmica.
Eu me uno a ele por aliança,
E me esvazio ao preenchê-lo.
Ao meu sangue se misturam a urina,
O suor, as lágrimas, as fezes.
O nível chega ao meu peito
E sobe inexoravelmente.
Debilitado, não consigo erguer
Minha cabeça fora do banho transbordante.
Sufocando, sozinho, mortalmente ferido,
Os segundos me parecem horas.