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Séléné

Eros Necropsique

Séléné

Dans le berceau des cieux,
La princesse a souri.
Les ténèbres, charmées,
Ont joui de sa lumière.
La pâleur de ses yeux
A défloré la nuit.
La nature sublimée
L'honore de ses prières.

Lune tu as pour nom,
Bel astre millénaire,
Egérie fascinante,
Maîtresse de nos nuits.
Tu es le grand chaînon
Manquant que l'on vénère,
Fragile revenante,
Force de désennui.

Ta rousse chevelure
Dissimule parfois
Ton rond corps blanc laiteux
Au regard des étoiles.
Reine de la froidure
En qui nous avons foi,
Nous autres, êtres boiteux,
Couvre-nous de ton voile.

Je veux être l'élu
Qui jouira du plaisir
De se faire dévorer
Par la belle nocturne.
Ô bonheur absolu,
Je n'ai qu'un seul désir :
Entre mes doigts serrer
Le pied blanc de la lune.

Voici que retentissent
Les lugubres accords
Des hurlements de la
Terrestre symphonie.
Vois tous ces sacrifices,
Ces âmes et ces corps,
Brûler pour toi, luna,
Assoiffés d'infini.

N'est-ce point un fardeau
Que cette solitude
Pour toi, de la nuit l'œil
Blanchâtre du mystère ?
Fillette, ton landau
Est cette lassitude,
Cette froide aura de deuil,
Erotisme orbitaire.

Résignons-nous à vivre
Cette horreur magnifique :
A jamais séparés,
Unissons nos soupirs.
Mais pleurant je m'enivre
D'un espoir édénique :
De mes crocs déchirer
Ton être et le ravir.

Séléné

No berço dos céus,
A princesa sorriu.
As trevas, encantadas,
Se alegraram com sua luz.
A palidez de seus olhos
Desflorou a noite.
A natureza sublimada
A honra com suas preces.

Lua, esse é teu nome,
Belo astro milenar,
Egeria fascinante,
Mestra das nossas noites.
Você é o grande elo
Faltante que se venera,
Frágil retornante,
Força do tédio.

Teu cabelo ruivo
Às vezes esconde
Teu corpo redondo e branco
Sob o olhar das estrelas.
Rainha do frio
Em quem temos fé,
Nós, seres mancos,
Cobre-nos com teu véu.

Quero ser o escolhido
Que desfrutará do prazer
De ser devorado
Pela bela noturna.
Ó felicidade absoluta,
Só tenho um desejo:
Entre meus dedos apertar
O pé branco da lua.

Aqui soam
Os lúgubres acordes
Dos uivos da
Sinfonia terrestre.
Veja todos esses sacrifícios,
Essas almas e esses corpos,
Queimam por ti, lua,
Sedentos de infinito.

Não é um fardo
Essa solidão
Para ti, o olho da noite
Branquíssimo do mistério?
Menina, teu carrinho
É essa lassidão,
Essa fria aura de luto,
Erotismo orbital.

Resignemo-nos a viver
Essa horrenda beleza:
Para sempre separados,
Unamos nossos suspiros.
Mas chorando eu me embriago
De uma esperança edênica:
Com meus dentes rasgar
Teu ser e o arrebatá-lo.

Composição: