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O Melódico Fluxo do Tempo

Eros Necropsique

Le Mélodieux écoulement Du Temps

Mon coeur est un tambour qui rythme mes absences,
Mes évasions nocturnes au temple de l'éthyle ;
Et son timbre envoûtant invite ma conscience
A s'auto-décharner dans une danse immobile

Je suis bien las de jouer au piano de mon âme,
Ce piano lourd et froid que l'ennui désaccorde ;
De faire vibrer encore à l'unisson les cordes
Sensorielles de mon être que le tambour enflamme.
Si mon âme est piano, mon corps est violoncelle
Et l'archet de métal ouvre la symphonie,
Soufflant la mélodie dernière qui sera celle
Du grand vacarme du silence de l'agonie.

Sous le fil de la lame l'artère devenue hydre
Expulse à gros bouillons ses pituites de sang.
Sur le carreau glacé, peu à peu faiblissant,
Je me métamorphose en lugubre clepsydre.

O Melódico Fluxo do Tempo

Meu coração é um tambor que marca minhas ausências,
Minhas fugas noturnas no templo do etílico;
E seu timbre hipnotizante convida minha consciência
A se auto-desprender numa dança imóvel.

Estou bem cansado de tocar o piano da minha alma,
Esse piano pesado e frio que o tédio desafina;
De fazer vibrar de novo em uníssono as cordas
Sensoriais do meu ser que o tambor incendeia.
Se minha alma é piano, meu corpo é violoncelo
E o arco de metal abre a sinfonia,
Soprando a última melodia que será aquela
Do grande barulho do silêncio da agonia.

Sob o fio da lâmina, a artéria se torna hidra
Expulsando em grandes jorros suas pituitárias de sangue.
Sobre o piso gelado, aos poucos enfraquecendo,
Eu me metamorfoseio em um lúgubre clepsidra.