Le Donne Di Atene
Dovreste prendere esempio da quelle mogli di Atene
Che vivon per i loro mariti, orgoglio e razza di Atene
Tutto il giorno si son profumate
Lavate nel latte e pettinate per
Esser amate
Se fustigate non piangeranno
Ma anzi proprio loro imploreranno
Più dure pene
Catene
Cercate di prendere esempio da quelle mogli di Atene
Che soffron per i loro mariti, potere e forza di Atene
Quando essi partono soldati
Intessono lunghi teli ricamati
Per settimane
E quando tornano affamati
Di baci con violenza strappati e
Carezze piene
Oscene
Dovreste prendere esempio da quelle mogli di Atene
Che perdonano ai loro mariti, i bravi guerrieri di Atene
Quando si ingozzano di vino per
Trovare il coraggio di aver vicino
Altre falene
Ma poi alla fine della notte , spossati
Son quasi sempre ritornati dalle
loro piccine
Elene
Cercate di prendere esempio da quelle mogli di Atene
che generano ai loro mariti i nuovi figli di Atene
Non hanno alcun gusto ne volontà
Non han difetti ne qualità
Lo sanno bene
Non hanno sogni ma solo presagi
Per i loro uomini e il mare e i naufragi e
Belle sirene
Morene
Dovreste prendere esempio da quelle mogli di Atene
Che temon per i moro mariti, gli eroi e gli amanti di Atene
Dalle giovani vedove segnate
E dalle gestanti abbandonate che
Non fanno scene
Vestite del nero di chi é rassegnato
Di chi ha oramai già accettato il Fato
Senza più pene Sono serene
Cercate di prendere esempio da quelle mogli di Atene
Che vivono per i loro mariti, orgoglio e razza di Atene
As Mulheres de Atenas
Vocês deveriam se espelhar naquelas mulheres de Atenas
Que vivem para seus maridos, orgulho e raça de Atenas
O dia todo se perfumam
Lavadas no leite e penteadas para
Serem amadas
Se forem espancadas, não vão chorar
Mas, na verdade, elas implorarão
Por penas mais duras
Correntes
Tentem se espelhar naquelas mulheres de Atenas
Que sofrem por seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles partem como soldados
Elas tecem longos panos bordados
Por semanas
E quando voltam famintos
De beijos arrancados à força e
Carícias cheias
Obscenas
Vocês deveriam se espelhar naquelas mulheres de Atenas
Que perdoam seus maridos, os valentes guerreiros de Atenas
Quando se entopem de vinho para
Encontrar coragem de ter por perto
Outras traças
Mas, no final da noite, exaustos
Quase sempre retornam para suas
Pequenas
Helenas
Tentem se espelhar naquelas mulheres de Atenas
Que geram para seus maridos os novos filhos de Atenas
Não têm gosto nem vontade
Não têm defeitos nem qualidades
Elas sabem bem
Não têm sonhos, mas apenas presságios
Para seus homens e o mar e os naufrágios e
Belas sereias
Morenas
Vocês deveriam se espelhar naquelas mulheres de Atenas
Que temem por seus maridos morenos, os heróis e amantes de Atenas
Das jovens viúvas marcadas
E das gestantes abandonadas que
Não fazem cena
Vestidas de preto, de quem está resignado
De quem já aceitou o Destino
Sem mais penas, estão serenas
Tentem se espelhar naquelas mulheres de Atenas
Que vivem para seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Composição: Chico Buarque de Hollanda, Eugenio Finardi