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Sandu (limpo)

Fara Zahar

Sandu (clean)

No dii, bai plavane, bai
No go home

Am sa-ti cant un cantecel
Ca sa mergi mai lejer
E vorba despre legenda lui Sandel bai
Baiet de-al nostru, de-aici din popor
Care s-a jertfit ca Romeo pe altarul lui Eros
Io-te, zice cam asa:

Salut, ma cheama...
Cum?
Ma cheama...
Cum?
Sandel!
Salut, ma cheama...
Cum?
Ma cheama...
Cum?
Sandel!

Draga Stela...

Iti scriu pentru a sapte-a oara direct din patul de spital
Am invatat sa scriu cu stanga, la dreapta sunt lovit mortal
C-am interceptat cu gura o potcoava prinsa-n cuie
Pe un picior de cal!
Ne stim de cand eram copii, de cand eram uite-atatica
Te fugaream prin cimitir la-nmormantarea lu' bunica
Acum ti-aduci aminte, fiindca eu n-o sa uit nicicand
Piedica mea si tu cazand cu capu-n piatra de mormant
Cand te-am vazut plina de sange mi-o parut asa de rau
Si mi-am jurat sa te iubesc toata viata
Sa moara eu!
Steluta, la cuvantul meu, te rog, ia bine seama
Si raspunde-mi la scrisoare, ca daca nu, ma tai cu lama

Te-as iubi dac-ai vrea mai draga sa-mi cosasti (asti..asti)
Iarba din ograda
Sa-mi prasasti (asti..asti) doua-trei hectare
Fiindca vezi (vezi..vezi bai) buruiana-i mare

Salut, ma cheama...
Cum?
Ma cheama...
Cum?
Sandel!
Salut, ma cheama...
Cum?
Ma cheama...
Cum?
Sandel!

Iti scriu a zecea mea scrisoare si vreau sa-ti zic (mi-esti draga)
Mi s-o aprins calcaiele dupa tine si cu mine nu-i de saga
De dragul tau ranesc la vite de parc-as fi nebun
Duca-se-n pustia neagra, da-te ca tre' sa-ti spun
Eu stiu ca tu nu tii la mine, ca de Gerula-ti place
Si te vad intrand cu el in sura, da' ce pusca mea iti face?
Si te-am asteptat trei ceasuri la caminul cultural
Dar tu beai votca cu Gerula in crasma de pe deal
Am incercat sa fac orice numai sa-ti fiu pe plac
Mi-am invatat pana si calul (sa dea din cap pe hip hop)
Dar tu nu nu nu, Gerula si iar Gerula
De parca scopul tau in viata era... (mai) pardon, saru' mana
Ma rog la bunul Dumnezeu ca sa te faca sa-ti dai seama
Ca-s mai tare ca Gerula si-o sa-i zici "pa pa" lu' mama
Si daca dupa toate astea n-o sa ma iubesti deloc
Jur pe tot ce am mai sfant ca beau benzina si-mi dau foc

Te-as iubi dac-ai vrea mai draga sa-mi cosasti (asti..asti)
Iarba din ograda
Sa-mi prasasti (asti..asti) doua-trei hectare
Fiindca vezi (vezi..vezi bai) buruiana-i mare

Salut, ma cheama...
Cum?
Ma cheama...
Cum?
Sandel!
Salut, ma cheama...
Cum?
Ma cheama...
Cum?
Sandel!

Asta-i ultima oara cand iti mai scriu ceva
De-acuma n-o sa mai auzi de mine, sa moara mama
A, stai putin. Mama-i deja moarta
C-am dat foc la casa si la sura si la grajd cu tot cu vaca
Tot ce-am vrut de la tine era sa-ntelegi cat de mult te iubesc
Dar tu nu tii la mine si-acuma eu gonesc
Cu peste 100 la ora in faitonu' lu' tata
Mi-am dat drumul din dealu' Popii, ca mi s-o pus pata
Si rapa lu' Andrei curand o sa-mi fie sicriu
Taci in pusca mea din gura, nu vezi ca-ncerc sa scriu
Asta-i Gerula care urla in spate, l-am legat de frana
L-am lovit cu levieru' peste gura si i-am rupt si-o mana
Steluta-i vina ta ca s-a-ntamplat ce s-o-ntamplat
Si sper ca noaptea sa ai cosmaruri si sa te zvarcolesti in pat
Gata. Iti spun adio. Mi s-o terminat imasul.
O, shit! Am uitat! Cine-o sa-i dea scrisoarea lu' nea postasu'?

Te-as fi iubit dac-ai fi vrut mai draga sa-mi cosasti
Iarba din ograda
Sa-mi prasasti doua-trei hectare
Fiindca vezi, buruiana-i mare

Bai tata, baï

Sandu (limpo)

No dia, vai tocar, vai
Não vou pra casa

Vou te cantar uma canção
Pra você ir mais leve
É sobre a lenda do Sandel, meu chapa
Um cara do povo, aqui da nossa terra
Que se sacrificou como Romeu no altar do Eros
Olha, ele diz mais ou menos assim:

Oi, me chama...
Como?
Me chama...
Como?
Sandel!
Oi, me chama...
Como?
Me chama...
Como?
Sandel!

Querida Stela...

Te escrevo pela sétima vez direto da cama do hospital
Aprendi a escrever com a esquerda, a direita tá toda machucada
Porque eu peguei uma ferradura com a boca, presa em pregos
Num pé de cavalo!
Nos conhecemos desde crianças, desde que éramos bem pequenos
Te perseguia pelo cemitério na hora do enterro da vovó
Agora você se lembra, porque eu nunca vou esquecer
A sua queda e você batendo a cabeça na pedra do túmulo
Quando te vi cheia de sangue, me deu uma pena danada
E eu jurei que ia te amar a vida toda
Que eu morra!
Stelinha, pela minha palavra, por favor, preste atenção
E me responda a carta, porque se não, eu me corto com a lâmina

Eu te amaria se você quisesse, minha querida, se você me ajudasse (ajudasse... ajudasse)
A cortar a grama do quintal
A arar (arar... arar) duas ou três hectares
Porque você vê (vê... vê, meu chapa) a erva daninha tá grande

Oi, me chama...
Como?
Me chama...
Como?
Sandel!
Oi, me chama...
Como?
Me chama...
Como?
Sandel!

Te escrevo a minha décima carta e quero te dizer (você é querida)
Meus calcanhares tão ardendo por você e comigo não é brincadeira
Por sua causa, machuco os bois como se eu fosse louco
Que se dane o deserto negro, mas eu preciso te contar
Eu sei que você não gosta de mim, que você gosta do Gerula
E eu te vejo entrando com ele no galpão, mas que diabo ele te faz?
E eu esperei três horas no centro cultural
Mas você tava bebendo vodka com o Gerula na taverna do morro
Tentei fazer de tudo só pra te agradar
Até ensinei meu cavalo (a balançar a cabeça no hip hop)
Mas você não, não, não, Gerula e de novo Gerula
Como se seu objetivo na vida fosse... (mais) perdão, beijo na mão
Eu rezo pro bom Deus pra te fazer perceber
Que eu sou mais forte que o Gerula e você vai dizer "tchau" pra mamãe
E se depois de tudo isso você não me amar de jeito nenhum
Juro por tudo que é sagrado que eu bebo gasolina e me dou fogo

Eu te amaria se você quisesse, minha querida, se você me ajudasse (ajudasse... ajudasse)
A cortar a grama do quintal
A arar (arar... arar) duas ou três hectares
Porque você vê (vê... vê, meu chapa) a erva daninha tá grande

Oi, me chama...
Como?
Me chama...
Como?
Sandel!
Oi, me chama...
Como?
Me chama...
Como?
Sandel!

Essa é a última vez que eu te escrevo algo
Daqui pra frente você não vai mais ouvir de mim, que minha mãe morra
Ah, espera um pouco. Minha mãe já tá morta
Porque eu coloquei fogo na casa, no galpão e no estábulo com a vaca dentro
Tudo que eu queria de você era que entendesse o quanto eu te amo
Mas você não gosta de mim e agora eu tô fugindo
A mais de 100 por hora na carruagem do meu pai
Desci do morro do Popa, porque eu fiquei com raiva
E a cova do Andrei logo vai ser meu caixão
Cala a boca, não vê que eu tô tentando escrever?
É o Gerula gritando atrás, eu amarrei ele no freio
Bati com a alavanca na boca dele e quebrei uma mão
Stelinha, é sua culpa que aconteceu o que aconteceu
E espero que à noite você tenha pesadelos e se contorça na cama
Chega. Te digo adeus. Acabou meu tapete.
Oh, droga! Esqueci! Quem vai entregar a carta pro tio carteiro?

Eu teria te amado se você quisesse, minha querida, se você me ajudasse
A cortar a grama do quintal
A arar duas ou três hectares
Porque você vê, a erva daninha tá grande

Meu chapa, meu chapa.

Composição: