Cravada No Peito
Fernando Alva
As páginas amarelam, o tempo vai cobrar
As capas pretas, os estojos, o fogo vai levar
O couro se desfaz, a tinta pode apagar
Mas existe um lugar onde o tempo não pode tocar
Não desqualifico o que o senhor escreveu
Mas busco a essência que o mundo esqueceu
A palavra não é o papel que se tem na mão
É o fogo que arde dentro da imensidão
Pois a palavra subirá com o salvo na luz
Enquanto o material ao pó se reduz
Não basta ler se o peito não se abrir
Não basta saber se o amor não fluir
Eu quero a tua lei cravada no meu peito
Escrita nas paredes do meu coração
Pois o livro físico não tem poder perfeito
Se não houver em mim a transformação
Se as palavras forem mortas, sem a prática do bem
Eu coloco em risco a minha alma e a de alguém
Escreve em mim, senhor, o teu destino
Faz do meu viver o teu maior ensino
Aquele que recebe o entendimento e a luz
Mas guarda só pra si o que a ti conduz
Enterra o talento, esconde a revelação
Se torna um deserto em plena plantação
A letra sem o espírito é ineficaz
A prática é o fruto que traz a tua paz
O entendimento clama por ser repartido
Para que o perdido não seja esquecido
O corpo deixará de ser
A alma e o espírito vão se unir
Para o salvo, a glória de te ver
Para a palavra, o destino de subir!
Não nas páginas, mas no peito
Não no couro, mas no coração
A tua palavra em mim
Para sempre
A tua palavra em mim



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