O Rótulo e a Honra
Fernando Alva
Eu estava ali, com o copo na mão
Buscando o melhor pra cada irmão
Escolhi a marca que o olho prefere
O brilho do rótulo que a sede sugere
Servir o pequeno é servir ao Senhor
Pensei que o banquete era prova de amor
Mas quando a terceira garrafa peguei
Uma mão abrupta veio e um susto levei
A obreira a tomou, num gesto de pressa
Escondeu o recurso, quebrou a promessa
Fiquei a olhar, num silêncio profundo
O que separa o sagrado do mundo?
É o enigma da honra, a sede do cargo
Onde o vinho do Reino se torna amargo
Guardaram o melhor pro banquete do rei
Enquanto a ovelha ficou na margem da lei
Preferiram o servo ao Senhor da mansão
No rótulo da honra, faltou o coração
Vi o prato montado, o cuidado especial
Para o líder um banquete, pro povo apenas o normal?
Onde foi que o caminho se desencontrou?
Se o Mestre a toalha na cintura amarrou
Por que na Sua casa, o prestígio é quem manda?
E a mesa do Reino virou uma barganha?
O Evangelho não tem camarote ou lugar
Não escolhe quem senta para se banquetear
Se Cristo é a cabeça, o corpo é igual
Mas criaram um muro no altar principal
A garrafa escondida
A ovelha esquecida
A hierarquia que fere a vida



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