395px

Obrigado, meu Deus

Léo Ferré

Merci mon Dieu

De nos tani?s de draps blancs
De nos gravats mang?en r?s
De notre pain de temps en temps
Et de nos miettes marche ou cr?
Avec la vie au beau milieu
Et puis la faim qui nous soul?
Nous te disons merci mon dieu

De nos salaires raccourcis
Et qui rallongent notre g?
De l'or qui pousse au quat'jeudis
De nos ?rnelles semaines
Avec la rage au beau milieu
Et puis l'envie qui nous malm?
Nous te disons merci mon dieu

De notre terre ?iel perdu
De nos fusils ?icatrices
De nos enfants qui n'ont pas p?loigner d'eux l'amer calice
Avec la guerre au beau milieu
Et puis le h?s qui s'y glisse
Nous te disons merci mon dieu

Des chevaux d'avoine posthumes
Qui tra?nt leurs derniers convois
Des chiens perdus que l'on transhume
Vers leurs derniers pipis de croix
Avec la mort au beau milieu
Et la piti?ui nous consumme
Nous te disons merci mon dieu

De cette croix du Golghota
Qui crucifie tant de poitrines
Et de ton fils qui n'a fait ?
Que pour la peau et les ?nes
Avec l'amour au beau milieu
Et puis ton ciel qu'on imagine
Nous te disons pourquoi mon dieu.

Obrigado, meu Deus

De nossos lençóis brancos
De nossos entulhos que nos consomem
Do nosso pão de vez em quando
E das nossas migalhas que vão ou vêm
Com a vida no meio do caminho
E então a fome que nos atormenta
Nós te dizemos obrigado, meu Deus

Dos nossos salários reduzidos
Que esticam nossa agonia
Do ouro que brota a cada quatro quintas
Das nossas eternas semanas
Com a raiva no meio do caminho
E então a inveja que nos maltrata
Nós te dizemos obrigado, meu Deus

Da nossa terra que se perdeu
De nossos fuzis com cicatrizes
De nossos filhos que não se afastam do amargo cálice
Com a guerra no meio do caminho
E então o ódio que se infiltra
Nós te dizemos obrigado, meu Deus

Dos cavalos de aveia postumamente
Que arrastam seus últimos comboios
Dos cães perdidos que desenterramos
Para seus últimos xixis de cruz
Com a morte no meio do caminho
E a piedade que nos consome
Nós te dizemos obrigado, meu Deus

Dessa cruz do Gólgota
Que crucifica tantos peitos
E do teu filho que não fez
Nada além de sofrer pela pele e pelos ânimos
Com o amor no meio do caminho
E então teu céu que imaginamos
Nós te dizemos por quê, meu Deus.

Composição: