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Ventos / Valores Sem Preço (Medley)

Fex Bandollero

Letra

    Foram vários outonos, invernos, frios, tempestades
    Enxurradas de lutas, chuvas de pedras, potestades
    A previsão do tempo me informou que vinha frente fria
    Pancada de chuva, vento, escurecerá o dia

    Noites cumpridas de choro duraram muitos dias
    Manhãs e tardes nebulosas, ausência de alegrias
    Companhia que só quis roubar o que eu nem tinha
    Até meu coração quis me enganar no que sentia

    Dizia eu: Até aqui lutei em vão, desisto!
    Dizia eu: Cansei as mãos com tanto imprevisto!
    Bem quisto por Deus e não muito por muitos
    Mau dito um ditado, só de lábios tamo junto

    No ringue mundo se nocauteado, levanto
    Até em notas menores da melodia vida eu canto
    Preparado para vitória ou derrota
    Nado num rio de lágrimas em direção a estreita porta

    Suporta firme o coração, sofro decepção de amigos
    Mas prossigo em frente mesmo com os pés feridos
    A morte vem me matar, a vida livra primeiro
    A mentira vem me acusar mas verdade é com os verdadeiros

    Deus ouve pecador, o que erra ou o que acertou
    Na angústia ou dor, no silêncio ou no clamor
    Mas no horizonte os primeiros raios de sol consigo ver
    Bem vindas primavera e verão pra quem crê

    Os ventos que vão e vem
    E chuvas não vêm em vão
    São tempos que vem pro bem
    Ajudam na manutenção, cada estação

    Os ventos que vão e vem
    E chuvas não vêm em vão
    Tudo coopera pro bem
    Não tem só primavera e verão

    Passaram várias primaveras
    Mas como nasci em maio sei que elas são outonos
    E dentre todas quimeras
    Morrer a cada dia me traz mais vida de bônus

    Sentindo o peso da chuva
    Tentei me esconder até passar a tempestade
    Mas como achar esconderijo
    Onde livrasse da enxurrada toda a minha iniquidade!?

    Então olhei pro céu e de repente ele se abriu
    Sorriu pra mim, um arco-íris se coloriu
    Sutil, entre as nuvens surgiu, azul de anil
    Achei que tava senil ou trampando na Suvinil

    Hoje enxergo diferente
    Aquele quadro que foi pintado na minha frente
    Vento nenhum desarruma meu ambiente
    O clima que o tempo traz não tira a paz da minha mente

    Os ventos que vão e vem
    E chuvas não vêm em vão
    São tempos que vem pro bem
    Ajudam na manutenção, cada estação

    Os ventos que vão e vem
    E chuvas não vêm em vão
    Tudo coopera pro bem
    Não tem só primavera e verão

    Fex Bandollero
    O que foi me dado de graça nunca será posto a venda
    Poesia que transpassa e sangra por cada fenda
    Como posso fazer disso somente fonte de renda
    Sem que o Espírito que habita em mim grite: Se arrependa!?

    Não falo de valor mas sim de quanto se vale
    Um propósito de amor ou a condição que me cale
    Instrumento que não toca tem nenhuma serventia
    E se for pra servir pra nada, o servo, não serviria

    Então que seja assim, seja feita Sua vontade
    E que eu esteja afim, sem preguiça e má vontade
    Foi pra isso que eu vim, que eu cumpra Sua vontade
    Quero andar no Seu jardim, sem desculpa e à vontade

    Desejo ir além do que o mundo me limita
    Compartilhar com aqueles que a maioria evita
    Permita que o meu nome, diante do Seu, se omita
    Pra eu espalhar Sua verdade de forma sempre bendita

    Só abro a boca pra falar algo que também sirva pra mim
    Seja prudente, tenha sabedoria
    Porque além de ser meio, eu também tenho que ser fim
    Valores sem preço custam caro

    Se tem valor não tem preço que pague
    Não tem dinheiro que compre o que por mim muito vale
    Fale-me da conta cara paga por Sua dádiva
    Cale-se no grito consumado sem ter dúvida

    Cálice tomado ao crédito pra vida válida
    Pasme-se que foi quitado o débito da divida
    Súplica em vida secreta vale a morte pública
    Publicar em cada verso meu sua rúbrica

    Pregar de mente lúcida, anunciar Sua volta súbita
    Advogou minha nobre causa pra essa casa, divulgar vou
    Me esvaziou do ter pra eu ser mais uma mano
    Encheu meu coração pra boca falar do Seu plano

    Na terra da indiferença custa caro o amor
    Se o prazer tem preço, intimidade tem valor
    Me avaliou, quem não valia nada, em tudo
    Pra dar Seu filho, Pai, de tal maneira amou o mundo

    Só abro a boca pra falar algo que também sirva pra mim
    Seja prudente, tenha sabedoria
    Porque além de ser meio, eu também tenho que ser fim
    Valores sem preço custam caro


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