395px

Antes de contar até dez

Fito & Fitipaldis

Antes de que cuente diez

Puedo escribir y no disimular
Es la ventaja de irse haciendo viejo
No tengo nada para impresionar
Ni por fuera, ni por dentro

La noche en vela va cruzando el mar
Porque los sueños viajan con el viento
Y, en mi ventana, sopla en el cristal
Mira a ver si estoy despierto

Me perdí en un cruce de palabras
Me anotaron mal la dirección
Ya grabé mi nombre en una bala
Ya probé la carne de cañón

Ya lo tengo todo controlado
Y alguien dijo: No, no, no, no, no
Que ahora viene el viento de otro lado
Déjame el timón
Y alguien dijo: No, no, no

Lo que me llevará al final
Serán mis pasos, no el camino
¿No ves que siempre vas detrás
Cuando persigues al destino?

Siempre es la mano y no el puñal
Nunca es lo que pudo haber sido
No es porque digas la verdad
Es porque nunca me has mentido

No voy a sentirme mal
Si algo no me sale bien
He aprendido a derrapar
Y a chocar con la pared

Que la vida se nos va
Como el humo de ese tren
Como un beso en un portal
Antes de que cuente diez

Y no volveré a sentirme extraño
Aunque no me llegue a conocer
Y no volveré a quererte tanto
Y no volveré a dejarte de querer

Dejé de volar, me hundí en el barro
Y, entre tanto barro, me encontré
Algo de calor sin tus abrazos
Ahora sé que nunca volveré

Antes de contar até dez

Posso escrever sem disfarçar
Essa é a vantagem de ir ficando velho
Não tenho nada para impressionar
Nem por fora, nem por dentro

A noite em claro vai atravessando o mar
Porque os sonhos viajam com o vento
E, na minha janela, sopra no vidro
Pra ver se estou acordado

Me perdi numa encruzilhada de palavras
Anotaram meu endereço errado
Já gravei meu nome numa bala
Já provei a carne de canhão

Já tenho tudo sob controle
E alguém disse: Não, não, não, não, não
Que agora o vento vem de outro lado
Deixe o leme comigo
E alguém disse: Não, não, não

O que vai me levar ao fim
Serão meus passos, não o caminho
Não vê que você sempre fica para trás
Quando tenta perseguir o destino?

Sempre é a mão, nunca o punhal
Nunca é aquilo que poderia ter sido
Não é porque você diz a verdade
É porque você nunca mentiu para mim

Não vou me sentir mal
Se alguma coisa não der certo
Aprendi a derrapar
E a bater de frente com a parede

Porque a vida vai passando
Como a fumaça daquele trem
Como um beijo na entrada de casa
Antes de contar até dez

E não vou voltar a me sentir estranho
Mesmo que eu nunca chegue a me conhecer
E não vou voltar a te amar tanto
E não vou voltar a deixar de te amar

Parei de voar, afundei na lama
E, no meio de tanta lama, me encontrei
Encontrei um pouco de calor sem seus abraços
Agora sei que nunca vou voltar

Composição: Fito Cabrales