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Ainda Estou Aqui

Flëur

Ya Vsyo Eshchyo Zdes'

Ty, mozhet byt', sprosish' menia, chto sluchilos'?
Da tak, nichego, prosto
Pokholodalo.
A mne, kak nazlo, leto tioploe snilos'.
Prosnulas', a Solntsa
Kak ne byvalo.
V nezrimuiu tochku
Smotriu, ne migaia,
Netronutyj zavtrak
Moj ostyvaet.
Da net, ne bol'na ia,
Ia vspominaiu,
Zachem ia zdes'.
Moj bumazhnyj korablik
Khotel pokorit' okeanskie volny.
Gde iskat' teper' bereg,
I kak obrechionnost' smyslom napolnit'?

Mne by v travu na okraine lesa
Lech' i ne dumat'
O nerazreshimom.

Akh, ehta iav',
Ledianye kompressy.
Akh ehto solntse,
Sploshnye ozhogi.
Mchatsia po preriiam
Dikie koni.
Dozhdiu podstavliaiu
Litso i ladoni.
Ia budto by v kome,
I ia sovershenno ne pomniu,
Zachem ia zdes'.
Solntsa luch
Na podushke, i veter kolyshet
Svetlye shtory.
Ia boius' shelokhnut'sia: vdrug ehto son,
Chto konchitsia skoro.

Ia ravno otkrytaia schast'iu i boli, i krov' moia rovno
Pul'siruet v venakh.
I ia vse mechtaiu, chto vyjdu na voliu, i ia vse risuiu
Na stenakh tiuremnykh.
Ia pomniu otlichno, chudes ne byvaet,
Ia pritvoriaius', chto nezhivaia.
I tol'ko odna veshch' menia udivliaet:
Ia vsio eshchio zdes'.

Ainda Estou Aqui

Você, talvez, pergunte o que aconteceu?
Ah, nada, só
Esfriou.
E eu, como se fosse um sonho, sonhei com um verão quente.
Acordei, e o sol
Como se nunca tivesse estado.
Em um ponto invisível
Olho, sem piscar,
Um café da manhã intocado
Me espera.
Mas não, não estou doente,
Eu me lembro,
Por que estou aqui.
Meu barquinho de papel
Queria conquistar as ondas do oceano.
Onde procurar agora a costa,
E como preencher a inevitabilidade com sentido?

Eu gostaria de deitar na grama na beira da floresta
E não pensar
No impossível.

Ah, essa é a realidade,
Compressões lentas.
Ah, esse sol,
Queimaduras por toda parte.
Correm pelas pradarias
Cavalos selvagens.
Eu me exponho à chuva
Com o rosto e as palmas.
Estou como se estivesse em coma,
E eu não me lembro de nada,
Por que estou aqui.
Raio de sol
Na almofada, e o vento balança
As cortinas claras.
Eu tenho medo de acordar: de repente é um sonho,
Que vai acabar logo.

Eu sou pura felicidade e dor, e meu sangue
Pulsa nas veias.
E eu sonho que vou sair para a liberdade, e eu desenho
Nas paredes das prisões.
Eu me lembro bem, não há milagres,
Eu finjo que estou morta.
E só uma coisa me surpreende:
Eu ainda estou aqui.

Composição: