Só o Corpo

Forja do Caos

Lá vai ele outra vez
Perdido naquela dança
Troca tudo o que tem
Por segundos sem lembrança

Diz que o toque não promete
Que o amanhã não tem valor
Chama fuga de escolha
E desejo de amor

A noite chama baixo
Ninguém precisa ver
É só mais um momento
Pra tudo se perder outra vez

É só o corpo
Só mais um pouco
Ninguém pertence a ninguém

É só o corpo
Só mais um gosto
Até não sobrar ninguém

Arrisca tudo em silêncio
Por um prazer que não fica
Chama isso de liberdade
Mas foge do vazio que o habita

Age nas sombras do acaso
Nega o peso da escolha
Enquanto dança com o fogo
Queima tudo… E acha pouco

Cada dose pede outra
O pulso começa a mandar
Não é vontade, é hábito
Disfarçado de desejo de voar

É só o corpo
Só mais um pouco
Ninguém pertence a ninguém

É só o corpo
Só mais um gosto
Até não sobrar ninguém

Não é prazer, é silêncio forçado
Não é escolha, é repetição
O vazio pede mais alto
Do que qualquer razão

É só o corpo
Só mais um pouco
Ninguém pertence a ninguém

É só o corpo
Só mais um gosto
Até não sobrar ninguém

Composição: Rodrigo Tarragô Ramos de Araújo. Essa informação está errada? Nos avise.

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