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Trevas

Forteresse

Ténèbres

La tristesse a jeté sur mon cœur ses longs voiles
Et les croassements de ses corbeaux latents;
Et je rêve toujours au vaisseau des vingt ans,
Depuis qu'il a sombré dans la mère des étoiles.

Oh! Quand pourrais-je encor comme des crucifie
éteindre entre mes doigts les chères paix anciennes,
Dont je n'entends jamais les voix musiciennes
Monter dans tout le trouble où je geins, où je vis?

Et je voudrais rêver longuement, l'âme entière,
Sous les cyprès de mort, au coin du cimetière
Où gît ma belle enfance au glacial tombeau.

Mais je ne pourrais plus; je sens des bras funèbres
m'asservir au réel, dont le fumeux flambeau
Embrasse au fond des nuits mes bizarres ténèbres!

Trevas

A tristeza lançou sobre meu coração suas longas cortinas
E os grasnados de seus corvos ocultos;
E eu sempre sonho com o barco dos vinte anos,
Desde que ele afundou na mãe das estrelas.

Oh! Quando poderei ainda, como os crucificados,
Apagar entre meus dedos as queridas pazes antigas,
Das quais nunca ouço as vozes musicais
Subirem em todo o tumulto onde eu gemia, onde eu vivo?

E eu gostaria de sonhar longamente, a alma inteira,
Sob os ciprestes da morte, no canto do cemitério
Onde jaz minha bela infância no túmulo gelado.

Mas eu não conseguiria mais; sinto braços fúnebres
Me aprisionando à realidade, cuja chama nebulosa
Abraça no fundo das noites minhas estranhas trevas!

Composição: