Shomér, Ma Mi-Llailah?
La notte è quieta senza rumore, c'è solo il suono che fa il silenzio
e l' aria calda porta il sapore di stelle e assenzio,
le dita sfiorano le pietre calme calde d' un sole, memoria o mito,
il buio ha preso con se le palme, sembra che il giorno non sia esistito...
Io, la vedetta, l' illuminato, guardiano eterno di non so cosa
cerco, innocente o perchè ho peccato, la luna ombrosa
e aspetto immobile che si spanda l' onda di tuono che seguirà
al lampo secco di una domanda, la voce d' uomo che chiederà:
Shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell...
Sono da secoli o da un momento fermo in un vuoto in cui tutto tace,
non so più dire da quanto sento angoscia o pace,
coi sensi tesi fuori dal tempo, fuori dal mondo sto ad aspettare
che in un sussurro di voci o vento qualcuno venga per domandare...
e li avverto, radi come le dita, ma sento voci, sento un brusìo
e sento d' essere l' infinita eco di Dio
e dopo innumeri come sabbia, ansiosa e anonima oscurità,
ma voce sola di fede o rabbia, notturno grido che chiederà:
Shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell...
La notte, udite, sta per finire, ma il giorno ancora non è arrivato,
sembra che il tempo nel suo fluire resti inchiodato...
Ma io veglio sempre, perciò insistete, voi lo potete, ridomandate,
tornate ancora se lo volete, non vi stancate...
Cadranno i secoli, gli dei e le dee, cadranno torri, cadranno regni
e resteranno di uomini e di idee, polvere e segni,
ma ora capisco il mio non capire, che una risposta non ci sarà,
che la risposta sull' avvenire è in una voce che chiederà:
Shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell
shomèr ma mi-llailah, shomèr ma mi-lell, shomèr ma mi-llailah, ma mi-lell...
Guardião, Mas Quem é a Noite?
A noite é calma sem barulho, só se ouve o som que faz o silêncio
e o ar quente traz o sabor de estrelas e absinto,
os dedos tocam as pedras quentes de um sol, memória ou mito,
a escuridão levou consigo as palmeiras, parece que o dia não existiu...
Eu, a sentinela, o iluminado, guardião eterno de não sei o quê
busco, inocente ou porque pequei, a lua sombria
e espero imóvel que se espalhe a onda de trovão que virá
após o relâmpago seco de uma pergunta, a voz de um homem que perguntará:
Guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite...
Estou há séculos ou há um momento parado em um vazio onde tudo silencia,
não sei mais dizer há quanto sinto angústia ou paz,
com os sentidos tensos fora do tempo, fora do mundo estou esperando
que em um sussurro de vozes ou vento alguém venha para perguntar...
E os percebo, raros como os dedos, mas sinto vozes, sinto um burburinho
e sinto ser o eco infinito de Deus
e após inúmeros como areia, ansiosa e anônima escuridão,
mas uma voz só de fé ou raiva, grito noturno que perguntará:
Guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite...
A noite, ouçam, está prestes a acabar, mas o dia ainda não chegou,
parece que o tempo em seu fluir permanece cravado...
Mas eu vigio sempre, por isso insistam, vocês podem, perguntem de novo,
voltem mais uma vez se quiserem, não se cansem...
Cairão os séculos, os deuses e as deusas, cairão torres, cairão reinos
e restarão de homens e de ideias, poeira e marcas,
mas agora entendo meu não entender, que uma resposta não virá,
que a resposta sobre o futuro está em uma voz que perguntará:
Guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite
guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, guardião, quem é a noite, quem é a noite...