Carnaval da Minha Vida

Francisco Alves

Quarta-feira de cinzas amanhece
Na cidade há um silêncio que parece
Que o próprio mundo se despovoou

Um toque de clarins, além, distante
Vai levando consigo, agonizante
O som do Carnaval que já passou

E repete-se a cena de costume
Cacos dispersos de lança-perfume
Serpentina e confetes pelo chão

É a máscara que a vida jogou fora
Mostrando que a alegria foi-se embora
Nos rastros da passagem da ilusão

Minha vida também durou três dias
Alimentada pelas fantasias
Recordações da minha vida inteira

Um retrato, uma flor, uma aliança
Na maior festa da minha esperança
Que também teve a sua quarta-feira

Hoje, ante o silêncio sepulcral
Dos despojos de mais um Carnaval
Confronto este cenário à minha dor

O que ontem pra mim foi iluminado
Hoje são restos mortais do passado
Cinzas do Carnaval do meu amor

E repete-se a cena de costume
Cacos dispersos de lança-perfume
Serpentina e confetes pelo chão

É a máscara que a vida jogou fora
Mostrando que a alegria foi-se embora
Nos rastros da passagem da ilusão

Composição: Aldo Cabral, Benedito Lacerda. Essa informação está errada? Nos avise.

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