
Destino
Francisco Alves
Destino, com que maldade requintada
Teceste a trama delicada
Da minha vida de amarguras
Ferino, uniste um dia duas almas
Duas vidas muito calmas
Duas calmas criaturas
Depois, quando nos viste acorrentados
Fizeste de ambos desgraçados
Cavaste o abismo entre nós dois
Clemência, tu não tiveste, tão cruel
Deste-me a taça da existência
A transbordar de amargo fel
E esta mulher dos sonhos meus
Por quem minh'alma eternamente clama
Porque desígnios, meu Deus
Foste arrojar num mar de lama
Vivo aspirando seu perfume
Essência mágica e tão rara
O pensamento que nos une
A sociedade nos separa



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