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Mau Presságio

Francisco Gorrindo

Mala suerte

¡Se acabó nuestro cariño, me dijiste fríamente,
yo pensé pa' mis adentros, puede que tenga razón,
lo pensé y te dejé sola, sola y dueña de tu vida,
mientras yo con mi conciencia me jugaba el corazón.

Y cerré fuerte los ojos, y apreté fuerte los labios,
pa' no verte, pa' no hablarte, pa' no gritar un adiós
y tranqueando despacito me fui al bar que está en la esquina para ahogar con cuatro tragos lo que pudo ser tu amor.

Yo no pude prometerte
cambiar la vida que llevo,
porque nací calavera
y así me habré de morir.
A mi me tira la farra,
el café, la muchachada,
y donde haya una milonga
yo no puedo estar sin ir.

Bien sabés cómo yo he sido,
bien sabés cómo he pensado,
de mis locas inquietudes,
de mi afán de callejear.
Mala suerte si hoy te pierdo,
mala suerte si ando solo,
el culpable soy de todo
ya que no puedo cambiar.

Porque yo sé que mi vida no es una vida modelo,
porque quien tiene un cariño, al cariño se ha de dar,
y yo soy como el jilguero, que aun estando en jaula de oro, en su canto llora siempre el antojo de volar...

He tenido mala suerte, pero hablando francamente,
yo te quedo agradecido, has sido novia y mujer;
si la vida ha de apurarme con rigores algún día,
¡ya podés estar segura que de vos me acordaré!

Mau Presságio

Acabou nosso carinho, você me disse friamente,
Eu pensei comigo, pode ser que você tenha razão,
Pensei e te deixei sozinha, sozinha e dona da sua vida,
Enquanto eu, com minha consciência, arriscava o coração.

E fechei bem os olhos, e apertei bem os lábios,
Pra não te ver, pra não te falar, pra não gritar um adeus
E, devagarinho, fui pro bar que tá na esquina pra afogar com quatro doses o que poderia ser seu amor.

Eu não pude te prometer
Mudar a vida que levo,
Porque nasci pra ser livre
E assim vou morrer.
Eu sou atraído pela festa,
Pelo café, pela rapaziada,
E onde tiver uma milonga
Eu não consigo ficar sem ir.

Você sabe bem como eu sou,
Você sabe bem como eu penso,
Sobre minhas loucas inquietações,
Sobre meu desejo de vagar.
Mau presságio se hoje te perco,
Mau presságio se ando sozinho,
O culpado sou eu de tudo
Já que não consigo mudar.

Porque eu sei que minha vida não é um exemplo,
Porque quem tem um amor, ao amor deve se entregar,
E eu sou como o canário, que mesmo em uma gaiola de ouro, em seu canto sempre chora o desejo de voar...

Eu tive mau presságio, mas falando francamente,
Eu te agradeço, você foi namorada e mulher;
Se a vida me apertar com rigores algum dia,
Já pode ter certeza que de você eu vou lembrar!

Composição: Francisco Gorrindo / Francisco Lomuto