Paciencia
Anoche, de nuevo te vieron mis ojos;
anoche, de nuevo te tuve a mi lao.
¡Pa qué te habré visto si, después de todo,
fuimos dos extraños mirando el pasao!
Ni vos sos la misma, ni yo soy el mismo.. .
¡Los años! ... ¡La vida!... ¡Quién sabe lo qué!...
De una vez por todas mejor la franqueza:
yo y vos no podemos volver al ayer.
Paciencia...
La vida es así.
Quisimos juntarnos por puro egoísmo
y el mismo egoísmo nos muestra distintos.
¿Para qué fingir?
Paciencia...
La vida es así.
Ninguno es culpable, si es que hay una culpa.
Por eso, la mano que te di en silencio
no tembló al partir.
Haremos de cuenta que todo fue un sueño,
que fue una mentira habernos buscao;
así, buenamente, nos queda el consuelo
de seguir creyendo que no hemos cambiao.
Yo tengo un retrato de aquellos veinte años
cuando eras del barrio el sol familiar.
Quiero verte siempre linda como entonces:
lo que pasó anoche fue un sueño no más.
Paciência
Ontem à noite, de novo meus olhos te viram;
otem à noite, de novo te tive ao meu lado.
Pra que te vi se, depois de tudo,
éramos dois estranhos olhando o passado!
Nem você é a mesma, nem eu sou o mesmo...
Os anos!... A vida!... Quem sabe o que!...
De uma vez por todas, melhor a franqueza:
eu e você não podemos voltar ao ontem.
Paciência...
A vida é assim.
Queríamos nos juntar por puro egoísmo
e o mesmo egoísmo nos mostra diferentes.
Pra que fingir?
Paciência...
A vida é assim.
Ninguém é culpado, se é que há uma culpa.
Por isso, a mão que te dei em silêncio
não tremeu ao partir.
Vamos fazer de conta que tudo foi um sonho,
que foi uma mentira termos nos procurado;
assim, de boa, nos resta o consolo
de continuar acreditando que não mudamos.
Eu tenho um retrato daqueles vinte anos
quando você era o sol familiar do bairro.
Quero te ver sempre linda como antes:
o que aconteceu ontem à noite foi só um sonho.
Composição: Francisco Gorrindo / Juan D'Arienzo