Verano
Agoniza la tarde en el silencio
es pesado su andar,
sofocante el calor no da tregua
y no sopla ese poco de brisa
que haga refrescar.
Al igual que la tarde, mi alma
arrastrando su mal,
va llegando al final del camino
y es pesado también su destino
que no cambiará.
Me lo dicen los años, no en vano
se aprende a dudar.
Y después, poco a poco, se llega
también a negar.
Hoy solo me atrevo a negarte...
tal vez algo más.
Si yo cargo mi cruz, vos quién sabe
a que llegarás.
Y queriendo arrancarte del pecho
húndote más y más.
Y no tengo siquiera el coraje
de acabar con mi vida
que entonces vos acabarás.
Agoniza la tarde en silencio...
Es pesado su andar,
mientras yo, ensangrentada en mi pena
otra vez tengo sed de esos labios
que me han de negar.
Verão
A tarde agoniza em silêncio
seu andar é pesado,
calor sufocante não dá trégua
e não sopra nem um pouco de brisa
que possa refrescar.
Assim como a tarde, minha alma
carrega seu mal,
vai chegando ao final do caminho
e também é pesado seu destino
que não vai mudar.
Os anos me dizem, não em vão
se aprende a duvidar.
E depois, pouco a pouco, se chega
também a negar.
Hoje só me atrevo a te negar...
talvez algo mais.
Se eu carrego minha cruz, você quem sabe
a que vai chegar.
E querendo arrancar você do peito
te afundando mais e mais.
E não tenho nem coragem
de acabar com minha vida
porque então você acabará.
A tarde agoniza em silêncio...
seu andar é pesado,
mientras eu, ensanguentada na minha dor
mais uma vez tenho sede desses lábios
que vão me negar.
Composição: Francisco Gorrindo / Joaquín Mora