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O Retorno da Guerra

Franco Califano

Er Ritorno Dalla Guera

Che so' tornato a fa'...
Io non dovevo…
Sentivo de sbajà però corevo!
Eccome qua … so' io... so' ritornato...
e finita la guera finalmente
e pe' fortuna io me so' sarvato.
Aoh, nun dice gnente?
Si, so' vestito ancora da sordato,
perché ho voluto ariva' prima a casa,
pe' fatte 'na sorpresa!
Tu sei confusa,
io sto' tremanno come un ragazzino
pe' l'emozione d'essete vicino...
Me guardi fisso, ancora nun ce credi,
so' tutto intero dalla testa ai piedi,
quarche capello 'n meno come vedi,
la faccia stanca, qarche kilo 'n meno,
ma 'nzieme a te vedrai che me risano!
Un anno ar fronte sai, nun se cancella!
Tu invece, che ne so, sembri più bella!
Ma sai che nun te sei nemmeno accorta,
che stamo ancora fermi sulla porta?
Che nun m'hai detto manco "Bentornato",
nun m'hai abbracciato!
Sembri 'na donna che nun s'aspettava,
che l'omo suo dar fronte je tornava.
Tutto me sembri, forché emozionata,
anzi c'hai 'n'espressione 'mpaurita,
quasi preoccupa ta!
Oddio, ma ch'é successo?
Io sto' a parla' da solo come 'n fesso,
la guera forse m'ha rincojonito
Ma no, ho capito!
Tardi, ma ho capito!
Quest'anno quarche cosa ha combinato!
Me guardi i gradi? Si, so' Capitano!
Ero er più forte co' le bombe a mano.
Sai che er coraggio nun m'è mai mancato,
volevo torna' a casa graduato,
guarda quante n'ho vinte de battaje,
la vita mia pe' 'n pugno de medaje!
Quanno attaccavo,
sapessi li nemici che stennevo,
più ne vedevo e più ne castigavo.
Sai che 'n sordato solo se è 'ncosciente
po' diventa' in un attimo Sergente.
Poi nun t'ho scritto più...
avrai pensato: se lo so' fatto, è morto e te saluto!
Proprio quanno pensavo ogni momento a te
quanno sognavo casa mia,
me feci la più 'nfame prigionia,
nun te potevo scrive 'n quer momento,
stavo in un campo de concentramento
a beveme li sputi der nemico,
come fossero gocce da spumante!
C'avevo già li gradi da Tenente!
Per fatto ch 'ero er più indisciplinato,
le botte che ho beccato!
Ma te pensavo e sopportavo tutto
e me dicevo: "Lei starà soffrenno come 'na matta
ormai quasi da 'n anno!..."
Che so' tornato a fa'...
Io non dovevo...
Sentivo de sbajà però corevo!
Tu nun ce devi ave' nessun rimorso
perché pe' sbajo fui dato disperso
e si te sei rifatta 'n'artra vita,
mica hai sbajato! Armeno sei rinata!
Me lo sentivo, quanno ritornavo
solo che da 'ste parti ce passavo
e so' salito su' pe' sta' tranquillo,
ma me ne vado senza fa' macello!
No, nun di' gnen te!
Tanto er silenzio tuo m'è sufficiente
e poi... io devo avè sbajato porta,
forse chi cerco io, po' esse morta!
'Na donna che piagneva alla stazione
quanno partiva er Quinto Battajone.
Un anno fa' ricordo ch'era notte
e lei strillava sopra 'Ste Stellette
"perché 'ste guerre 'nfami e maledette!"
Una che me stringeva forte, forte,
pensanno alla mia morte!
Sì, sì, ho sbajato! Forse ho importunato!
Io cercavo 'na donna,
che 'n anno fa' quanno salii sur treno,
se 'nvento' delle frasi disperate,
che dar cervello mio nun so' più uscite,
"Sordato mio, lo so che c'hai coraggio,
ma nun anna' ogni vorta all'arembaggio,
l'eroi so' solo 'n gruppo d'esaltati,
che moreno per esse' decorati,
pensa a me qui da sola, nun fa' er pazzo,
che si nun torni vivo io t'ammazzo!
Che si nun torni vivo io t'ammazzo!
Che so' tornato a fa'...
lo non dovevo...
Sentivo de sbajà
però corevo!
Signora io sto' tornando dalla guera
e c'ho er morale proprio sotto tera,
nun ce capisco gnente, abbia pazienza,
perdoni intanto questa mia invadenza,
io sono il Capitano... no, me correggo,
io so' un Capitano, uno dei tanti Capitani ar monno,
è inutile ostentallo più 'sto grado,
nun so' nessuno, adesso me ne vado...
Oddio, ma sento piagne un ragazzino,
dev'esse appena nato, me fa' effetto!
E maschio?
Je vada a compra' subito l'ermetto...
oggi se nasce omini e se parte,
pe quelli fortunati c'è la morte,
pe' quelli come me che so' jellati allora so' dolori,
vedi solo manciate de medaje
medaje sopra e sotto, medaje 'n capo al letto,
medaje dentro ar piatto,
medaje come queste che c'ho attaccate ar petto
che pe' acchiappanne tante, me so' giocato tutto.
Sa che ce faccio io
co' 'ste decorazioni che c'ho addosso?
Pe' quanto so' servite ar caso mio,
le posso buttà tutte dentro ar cesso
tanto la guera mia, la guera vera
è quella che dovrò combatte adesso...
uno... due... tre... passo!
uno... due... tre... passo!

O Retorno da Guerra

Che eu voltei a fazer...
Eu não devia...
Sentia que ia errar, mas corri!
Aqui estou... sou eu... voltei...
e acabou a guerra finalmente
e por sorte eu me salvei.
E aí, não vai dizer nada?
Sim, ainda tô vestido de soldado,
porque quis chegar primeiro em casa,
para fazer uma surpresa!
Você está confusa,
eu tô tremendo como um garotinho
pela emoção de estar perto de você...
Você me olha fixo, ainda não acredita,
eu tô inteiro da cabeça aos pés,
com alguns cabelos a menos, como você vê,
com a cara cansada, alguns quilos a menos,
mas junto de você vai ver que eu vou me recuperar!
Um ano na frente, sabe, não se apaga!
Você, por outro lado, não sei, parece mais bonita!
Mas sabe que você nem percebeu,
que ainda estamos parados na porta?
Que você não me disse nem "Bem-vindo de volta",
não me abraçou!
Parece uma mulher que não esperava,
que seu homem voltava da guerra.
Você me parece tudo, menos emocionada,
a verdade, tem uma expressão assustada,
quase preocupada!
Meu Deus, o que aconteceu?
Eu tô falando sozinho como um idiota,
a guerra talvez me deixou meio maluco,
mas não, eu entendi!
Tarde, mas eu entendi!
Esse ano alguma coisa aconteceu!
Você vê as minhas patentes? Sim, sou Capitão!
Eu era o mais forte com as granadas.
Sabe que coragem nunca me faltou,
queria voltar pra casa graduado,
você vê quantas batalhas eu ganhei,
a minha vida por um punhado de medalhas!
Quando eu atacava,
sabia os inimigos que eu derrubava,
quanto mais eu via, mais eu castigava.
Sabe que um soldado só fica consciente
pode se tornar sargento em um instante.
Depois eu não escrevi mais...
você deve ter pensado: se ele não voltou, morreu e me despediu!
Justo quando eu pensava em você a todo momento
quando sonhava com minha casa,
me meti na prisão mais infame,
não pude te escrever naquele momento,
stava em um campo de concentração
bebendo os cuspes do inimigo,
como se fossem gotas de champanhe!
Eu já tinha as patentes de Tenente!
Por ser o mais indisciplinado,
as surras que eu levei!
Mas eu pensava em você e suportava tudo
e me dizia: "Ela deve estar sofrendo como uma louca
há quase um ano!"
Che eu voltei a fazer...
Eu não devia...
Sentia que ia errar, mas corri!
Você não deve ter nenhum remorso
pelo fato de que eu fui dado como desaparecido
e se você se refez em outra vida,
não errou! Pelo menos você renasceu!
Eu sentia isso, quando voltava
só que por aqui eu passava
e subi para ficar tranquilo,
mas vou embora sem fazer bagunça!
Não, não diga nada!
Tanto que seu silêncio é suficiente para mim
e depois... eu devo ter batido na porta errada,
talvez quem eu procuro, pode estar morta!
Uma mulher que chorava na estação
quando partia o Quinto Batalhão.
Um ano atrás, lembro que era noite
e ela gritava sobre essas estrelinhas
"por que essas guerras infames e malditas!"
Uma que me abraçava forte, forte,
pensando na minha morte!
Sim, sim, eu errei! Talvez eu tenha importunado!
Eu procurava uma mulher,
que um ano atrás quando subi no trem,
se inventou frases desesperadas,
que da minha cabeça não saíram mais,
"Soldado meu, eu sei que você tem coragem,
mas não vá toda vez para a batalha,
os heróis são só um grupo de exaltados,
que morrem para serem decorados,
pensa em mim aqui sozinha, não faça o louco,
que se você não voltar vivo eu te mato!
Que se você não voltar vivo eu te mato!
Che eu voltei a fazer...
eu não devia...
Sentia que ia errar,
mas corri!
Senhora, eu estou voltando da guerra
e estou com a moral bem embaixo,
não entendo nada, tenha paciência,
perdoe essa minha invasão,
eu sou o Capitão... não, me corrijo,
eu sou um Capitão, um dos muitos Capitães do mundo,
é inútil ostentar mais esse grau,
eu não sou ninguém, agora vou embora...
Meu Deus, mas eu ouço chorar um garotinho,
deve ter acabado de nascer, me faz efeito!
E menino?
Vou comprar logo o chapéuzinho...
hoje nascem homens e partem,
para os sortudos há a morte,
para os que nem eu que sou azarado, então são dores,
você vê só punhados de medalhas
medalhas em cima e embaixo, medalhas na cabeceira,
medalhas dentro do prato,
medalhas como essas que eu tenho coladas no peito
que para pegar tantas, eu apostei tudo.
Sabe o que eu faço eu
com essas decorações que eu tenho em cima?
Pelo quanto serviram para o meu caso,
eu posso jogar tudo no vaso
tanto a minha guerra, a verdadeira guerra
é aquela que eu terei que lutar agora...
um... dois... três... passo!
um... dois... três... passo!

Composição: