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Café

Franco Falco

Café

El blackout que se derrite
Con el sol de la mañana
Deja pasar luz fulana
Que con ahínco compite
Con más luces que al convite
Ya van acudiendo en masa
Abre sus puertas la casa
Y el cielo se arremolina
Para entrar en la cocina
Cuando el café va a la taza

Acaso el término infusión
No tenga a bien definirlo
Difícil circunscribirlo
En otra clasificación
A no ser, claro, contención
Introspección, acto de fe
Soy cultor de la niñez que
En crepuscular alquimia
Nos llevó a besar la nimia
Boca negra del café

Y voy por el décimo café
Ojalá llueva café
Tengo que decirte que esto no
Tiene pinta de
Una aventura
Un castillo en la espesura
El tintero se va llenando
A medida que van llegando los
Pies a la altura
De la puerca cordura
Lejos queda el ayer
Nuestro amor no es un retoño
No hay otoños, no hay de qué temer
Vení, tomemos un café

Anhelo profundamente
No se tome por exceso
Que atribuya como obseso
Casi obstinadamente
A ese líquido caliente
Cualquier tramo de mi obra
Su impertérrita zozobra
Las subastas a oscuras
Serían solo aguas seguras
Si no mediara esta robra

Y voy por el décimo café
Y ojalá llueva café
Tengo que decirte que esto no
Tiene pinta de
Una aventura
Un castillo en la espesura
El tintero se va llenando
A medida que van llegando los
Pies a la altura
De la puerca cordura
Lejos queda el ayer
Nuestro amor no es un retoño
No hay otoños, no hay de qué temer
Vení, tomemos un café

Café

O apagão que derrete
Com o sol da manhã
Deixa passar luz fulana
Que com afinco compete
Com mais luzes que ao convite
Já vão acorrendo em massa
Abre suas portas a casa
E o céu se agita
Para entrar na cozinha
Quando o café vai à xícara

Acaso o termo infusão
Não tenha a bem definir
Difícil circunscrevê-lo
Em outra classificação
A não ser, claro, contenção
Introspecção, ato de fé
Sou cultor da infância que
Em crepuscular alquimia
Nos levou a beijar a mínima
Boca negra do café

E vou pelo décimo café
Tomara que chova café
Tenho que te dizer que isso não
Tem cara de
Uma aventura
Um castelo na espessura
O tinteiro vai se enchendo
À medida que vão chegando os
Pés à altura
Da porca sanidade
Longe fica o ontem
Nosso amor não é um rebento
Não há outonos, não há o que temer
Vem, vamos tomar um café

Anseio profundamente
Não se tome por excesso
Que atribua como obcecado
Quase obstinadamente
A esse líquido quente
Qualquer trecho de minha obra
Sua imperturbável angústia
Os leilões às escuras
Seriam apenas águas seguras
Se não mediasse esta obra

E vou pelo décimo café
E tomara que chova café
Tenho que te dizer que isso não
Tem cara de
Uma aventura
Um castelo na espessura
O tinteiro vai se enchendo
À medida que vão chegando os
Pés à altura
Da porca sanidade
Longe fica o ontem
Nosso amor não é um rebento
Não há outonos, não há o que temer
Vem, vamos tomar um café

Composição: Franco Falco