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Som da Morte

Frank Delgado

Son de La Muerte

Vino a buscarme una amiga
En el medio de una hazaña
Vestida con un capote
Y portando una guadaña

Seguro que en un mal día
Me he atravesado en su senda
No señor, es que mi nombre
Anda apuntado en su agenda

Le dije: No tenga prisa
Que no es un asunto urgente
Me dijo: Está bien, de acuerdo
Tú eres mi último cliente

Y elaborando mi estratagema
Pues yo pensaba en la muerte ajena
En lo loco de lo suicida
Y en lo linda que es la vida

La muerte y yo conversamos
Sobre temas de la vida
Del deporte, la cultura
Y de lo lejos de China

De la ropa que se lleva
De los gritos de la moda
De la pintura moderna
Y hasta de Cristo y Mahoma

Y ese capote que llevas
Y que tanto te incomoda
Te digo de buena mano
Que está pasado de moda

Y sin ese capote de lana
Me voy contigo de buena gana
Al paraíso, para el infierno
Pa' cualquier cementerio

Al otro día la muerte
Vino vestida de raso
Y como viejos amigos
Nos dimos un fuerte abrazo

Ahora sí que te llevo
Me dice muy compungida
Y yo, yo mirando su osamenta
Le digo en forma atrevida

Por avances de la ciencia
En su forma y contenido
De materiales sintéticos
Ya se fabrican tejidos

Y con una pielcita lozana
Me voy contigo de buena gana
Al paraíso, para el infierno
Pa' cualquier cementerio

Al otro día, con sus enaguas
Y una piel fresca como la mañana
Venía cantando su buenaventura
Para dar muestras de su identidad y su saña
Aún llevaba en su mano la guadaña

Cuando la veo, así nomás le digo
Bota esa mierda, que tú no vas a segar trigo
Y vámonos andando con el alba

Cuando llegó cantando inmaculada
Y despojada de sus simbolismos
Cualquier humano me diría lo mismo
Quiero una muerte con buenos sentimientos
Que vista y calce al modo de estos tiempos
Para decirle en forma agradecida

Tú no eres muerte
Tú eres la vida
Tú no eres muerte
Caramba, eres la vida

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Y te jodí un diez de octubre
Y te jodí un dos de enero
Y un diecinueve de julio
Y te jodo el año entero

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Y mira tú no me digas
Que ya no puedes vivir
La del amor intolerable
La que se cree bonita y no lo es

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Espero que cuando vuelvas
Ya te hayas tecnificado
Pues yo mi tumba la quiero
Con aire acondicionado

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Y te engañé con mi engañó
Y te esquivé con mi esquiva
Por eso ahora no voy pa' reparto boca arriba

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Muerte perversa
Estado de coma
Con mi inexperiencia
Te jodí cabrona

Som da Morte

Veio me buscar uma amiga
No meio de uma façanha
Vestida com um manto
E segurando uma foice

Certeza que em um dia ruim
Eu cruzei o caminho dela
Não, senhor, é que meu nome
Está anotado na agenda dela

Eu disse: Não tenha pressa
Que não é nada urgente
Ela disse: Tudo bem, de acordo
Você é meu último cliente

E elaborando minha estratégia
Pois eu pensava na morte alheia
Na loucura do suicídio
E na beleza que é a vida

A morte e eu conversamos
Sobre temas da vida
Do esporte, da cultura
E da distância da China

Sobre as roupas que se usam
Sobre os gritos da moda
Sobre a pintura moderna
E até sobre Cristo e Maomé

E esse manto que você usa
E que tanto te incomoda
Te digo de boa vontade
Que já tá fora de moda

E sem esse manto de lã
Vou com você de boa vontade
Pro paraíso, pro inferno
Pra qualquer cemitério

No dia seguinte a morte
Veio vestida de cetim
E como velhos amigos
Nos abraçamos bem forte

Agora sim que te levo
Me diz ela bem triste
E eu, olhando seu esqueleto
Falo de forma atrevida

Por avanços da ciência
Na sua forma e conteúdo
De materiais sintéticos
Já se fabricam tecidos

E com uma pele fresquinha
Vou com você de boa vontade
Pro paraíso, pro inferno
Pra qualquer cemitério

No dia seguinte, com suas saias
E uma pele fresca como a manhã
Vinha cantando sua sorte
Pra mostrar sua identidade e sua fúria
Ainda segurava a foice na mão

Quando a vejo, assim mesmo eu digo
Joga essa merda fora, que você não vai ceifar trigo
E vamos andando com a aurora

Quando chegou cantando imaculada
E despida de seus simbolismos
Qualquer humano diria o mesmo
Quero uma morte com bons sentimentos
Que vista e calce ao modo desses tempos
Pra agradecer de forma sincera

Você não é morte
Você é a vida
Você não é morte
Caramba, você é a vida

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

E te ferrei um dez de outubro
E te ferrei um dois de janeiro
E um dezenove de julho
E te ferro o ano inteiro

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

E olha, não me diga
Que já não pode viver
A do amor intolerável
A que se acha bonita e não é

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

Espero que quando voltar
Já tenha se modernizado
Pois eu quero minha cova
Com ar condicionado

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

E te enganei com meu engano
E te esquivei com minha esquiva
Por isso agora não vou pra entrega de boca pra cima

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

Morte perversa
Estado de coma
Com minha inexperiência
Te ferrei, sua cabrona

Composição: