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Sonhar Acordado

Frank Delgado

Soñar Despierto

Era un día feliz en la tierra.
Era un día feriado, lo juro.
Y los hombres que se levantaban se iban a un bar
y tomaban con tino y mesura pues no hay penas para olvidar.

Es un día que no conocemos.
Es un día que está por llegar.
Las parejas se amaban sin miedo al acecho social.
Y no habían ni dama, ni tope, ni azote moral.

Y sedientos bebían del río,
ya no contaminan las aguas.
Y los niños jugaban sin prisa
y en sus juegos no habían contrarios.
Los ancianos ya no sermoneaban su longevidad
ni las mozas corrían y no hacían dieta para adelgazar.

Y esta suerte de la que soy dueño
fue a parar a mi carga en un sueño
y el mundo que no toma sedantes
se ha puesto a soñar
con la naturaleza y los padres de la humanidad.
Y entre sueños y sueños el mundo
parece cambiar de colores.

No crean que no pueden soñar despiertos,
que cerrando los ojos y la nariz,
quedarán por ahí los pedazos sueltos
y los tristes mal tragos de tu país.

Ya no hay nubes oscuras ni rayos,
ni madres en la Plaza de Mayo,
ni peregrinaciones a un santuario.

Y en las auténticas alamedas
no habrá sitios ni toques de queda
ni escuadrones matando en la vereda.

No habrá más procesiones urbanas
ni tragedias centroamericanas
ni una espina clavada en Guatemala o en Nicaragua.

Sonhar Acordado

Era um dia feliz na terra.
Era um dia de folga, eu juro.
E os homens que se levantavam iam pra um bar
E bebiam com calma e moderação, pois não há dores pra esquecer.

É um dia que não conhecemos.
É um dia que está por vir.
Os casais se amavam sem medo do olhar alheio.
E não havia dama, nem limites, nem moralidade.

E sedentos bebiam do rio,
já não poluem as águas.
E as crianças brincavam sem pressa
e em seus jogos não havia adversários.
Os velhos já não pregavam sobre sua longevidade
e as moças corriam sem fazer dieta pra emagrecer.

E essa sorte da qual sou dono
foi parar na minha carga em um sonho
e o mundo que não toma sedativos
começou a sonhar
com a natureza e os pais da humanidade.
E entre sonhos e sonhos o mundo
parece mudar de cores.

Não pensem que não podem sonhar acordados,
que fechando os olhos e o nariz,
ficarão por aí os pedaços soltos
e os tristes percalços do seu país.

Já não há nuvens escuras nem relâmpagos,
nem mães na Praça de Maio,
nem peregrinações a um santuário.

E nas autênticas alamedas
não haverá lugares nem toques de recolher
e esquadrões matando na calçada.

Não haverá mais procissões urbanas
nem tragédias centro-americanas
nem uma espinha cravada na Guatemala ou na Nicarágua.