
A Tinta Não Esquece (Bendy)
FrankOtato
As luzes falham, posso ouvir
O projetor tenta resistir
Sombras dançam na parede fria
Algo vive nessa nostalgia
Pisos rangendo sob meus pés
Memórias presas no que já não é
Desenhos tortos querem falar
Mas suas bocas não podem gritar
Tinta escorre como dor
Cada passo revela o horror
Rostos sorrindo sem emoção
Escondem segredos na escuridão
E eu sei, não devia voltar
Mas algo aqui quer me encontrar
Entre ecos que não têm fim
A escuridão chama por mim
A tinta não esquece, ela quer viver
Transforma sonhos no que você vê
Sorrisos falsos vão te seguir
Não há mais luz, só resta fugir
A máquina gira, não vai parar
O passado insiste em me puxar
Se eu desaparecer aqui também
Vou virar tinta como os outros além
Portas fechadas, sem solução
Cada corredor é uma prisão
Vozes sussurram meu nome em vão
Presas pra sempre nessa ilusão
O cheiro forte no ar me diz
Que nada aqui já foi feliz
Criações feitas pra entreter
Agora só querem sobreviver
Olhos vazios me observam
Enquanto as sombras me cercam
E cada passo que eu dou
Me leva mais perto do que restou
E eu tento, não olhar pra trás
Mas sei que já não sou capaz
Esse lugar me consumiu
E algo em mim já se partiu
A tinta não esquece, ela quer viver
Transforma sonhos no que você vê
Sorrisos falsos vão te seguir
Não há mais luz, só resta fugir
A máquina gira, não vai parar
O passado insiste em me puxar
Se eu desaparecer aqui também
Vou virar tinta como os outros além
Você criou, você deixou
O monstro crescer, e ele acordou
Entre engrenagens e dor sem fim
Agora ele vive dentro de mim
Risos quebrados no ar ecoam
Histórias que nunca perdoam
E no espelho eu posso ver
Algo tentando me reescrever
A tinta sobe pela minha mão
Tomando forma, virando prisão
Eu sinto o frio no coração
Enquanto perco quem eu sou então
Não há saída, não há perdão
Só resta aceitar a escuridão
Se esse é o fim que escolhi
Então que o mundo desapareça em mim
A tinta não esquece, ela quer viver
Agora eu faço parte do que você vê
Meu sorriso já não é real
Mas faz parte desse final
A máquina gira, eu vou ficar
Mais uma alma pra alimentar
E quando alguém aqui entrar
A tinta vai se lembrar
Projetor falha, tudo em vão
Silêncio toma a escuridão
E no fim, você vai ver
Que nunca houve saída pra você



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