Petite fable sans morgue (La complainte des petits cabinets)
Nous sommes les petits cabinets,
Les petits cabinets de province
Ceux que l'on évince,
Que l'on met très loin, très loin
Tout au fond des jardins
Près des tas de fumier
Des volières, des chenils, des écuries,
Des basses cours, voire même des vergers
Nous sommes les petits cabinets
Ceux qu'on ne daigne pas nommer
Water-closets, ni lieux d'aisance
Ce serait sans doute une offense
Mais on nous donne des noms extraordinaires
Des noms idiots
Qui font croire que nous sommes originaires
De l'île de chiot
Nous sommes sales et laids ... on nous néglige.
Sommes-nous donc tellement indignes s'il vous plaît
Oui, s'il vous plaît,
N'avons-nous pas les mêmes attributions,
Les mêmes fonctions que ceux de la capitale
Des chefs lieux, des villes principales
Mais non, nos sièges sont de bois brut
Et le ragout tant désiré nous a dit «Zut»
Il a préféré glisser sur nos confrères
Mieux aménagés, cirés, vernissés,
Voués aux aristocrates derrières.
Notre ouverture est béante, géante,
Le regard plonge à l'infini
On n'en voit pas le fond, ironie
Pour nous point d'élégance
Point de cu'vette de faïence
Point de bouton
Faisant jaillir un hygiénique tourbillon
Point de petit balai de chiendent
Nous sommes dégoutants
Et pour le papier de ouate
On le jette à gauche, à droite
On ne le coupe même pas en petits carrés
Et ce sont parfois des journaux entiers,
Des revues de littérature
Qui tombent dans notre ouverture
Et nos murs, ah ! nos murs salpétrés
Parfois couverts de journaux illustrés, portraits d'actrices
Ou alors de ministres, tableaux de grands artistes.
Quelquefois on nous couronne
De ronds, de ronds
De ronds en paillasson
Voilà le seul luxe qu'on nous donne
Voilà le seul luxe qu'on nous donne
Voilà le seul luxe qu'on nous donne
Car nous ne sommes que les petits cabinets,
Les petits cabinets de province
Ceux que l'on évince
Eh bien soit ! Nous acceptons la guerre
Et nous serons les prolétaires, les prolétaires.
Fábula Pequena Sem Morte (A Queixa dos Banheiros)
Nós somos os banheiros pequenos,
Os banheiros pequenos do interior
Aqueles que são ignorados,
Que são colocados bem longe, bem longe
Lá no fundo dos jardins
Perto dos montes de esterco
Das gaiolas, dos canis, dos estábulos,
Dos galinheiros, ou até mesmo dos pomares
Nós somos os banheiros pequenos
Aqueles que não se dignam a nomear
Banheiros químicos, nem lugares de conforto
Seria sem dúvida uma ofensa
Mas nos dão nomes extraordinários
Nomes idiotas
Que fazem crer que somos originários
Da ilha dos filhotes
Nós somos sujos e feios... nos negligenciam.
Seremos tão indignos, por favor
Sim, por favor,
Não temos as mesmas atribuições,
As mesmas funções que os da capital
Das cidades principais
Mas não, nossos assentos são de madeira bruta
E o guisado tão desejado nos disse "Putz"
Ele preferiu escorregar nos nossos colegas
Melhor arrumados, encerados, envernizados,
Dedicados aos traseiros aristocráticos.
Nossa abertura é imensa, gigante,
O olhar mergulha no infinito
Não se vê o fundo, ironia
Para nós, nada de elegância
Nada de vaso de cerâmica
Nada de botão
Fazendo jorrar um turbilhão higiênico
Nada de vassourinha de capim
Nós somos nojentos
E quanto ao papel toalha
Jogamos para a esquerda, para a direita
Nem cortamos em quadradinhos
E às vezes são jornais inteiros,
Revistas de literatura
Que caem na nossa abertura
E nossas paredes, ah! nossas paredes salitradas
Às vezes cobertas de jornais ilustrados, retratos de atrizes
Ou então de ministros, quadros de grandes artistas.
Às vezes nos coroam
Com círculos, com círculos
Com círculos de capacho
Esse é o único luxo que nos dão
Esse é o único luxo que nos dão
Esse é o único luxo que nos dão
Pois somos apenas os banheiros pequenos,
Os banheiros pequenos do interior
Aqueles que são ignorados
Bem, tudo bem! Aceitamos a guerra
E seremos os proletários, os proletários.