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Balada brasileira (part. Flávia Coelho)

Gaël Faye

Balade brésilienne (part. Flávia Coelho)

La tête, tourne en derviche
L'alcool assèche, un goût âpre en bouche
Ma langue, une lame dans une poche rêche
Le parquet craque sous nos semelles usées de gosses de riches
On fume sur la corniche, dedans la musique recouvre les causeries
L'amour triche, on s'en contente, les nuits sont fraîches
Demain on dort
Dimanche au temple le pasteur ne fera que des faux prêches
On a la vie devant nous pour user nos cartouches
Dehors la ville est belle comme si j'étais un bateau-mouche
Degrés dans le rouge, les couples copulent sur la lune
Copine, c'est l'hallu'
Ce 15 ans d'âge transforme tes yeux en lagune
Embouteillage de filles devant les toilettes
Merde, j'ai confondu les noyaux d'olives avec les cacahuètes
On danse nos solitudes sur des rythmes binaires
Tous par terre, le cerveau dans la brume, y a de l'humour dans l'air
Dans ces instants brefs, c'est le temps qu'on déjoue
Donc dis-moi à quoi on joue avant les lueurs du jour

Vamo' a pé, caminhar na praia
E cair na gandaia
Nas ondas do amor
É que a situação aqui 'tá difícil
Faltando poesia, homem nenhum querendo compromisso
Pra trocar uma ideia, na moral, é um suplício
Um cara que fala em poesia está desesperando por isso
Na pista, a gente dança, temperatura é perfeita
É cedo, é meia-noite, é lua cheia
O seu perfume é da Chanel de Paris
Cê torce p'lo PSG
E diz aí o que falta pra tu ser feliz
Sol, o vento na cara, chope gelada
Biquínis, sandália
Mais uma noite no Brasil
Vamo' a pé, caminhar na praia
E cair na gandaia
Nas ondas do amor

Allongé, la tête dans les nuages, la nuit est bleutée
Lève les yeux, là-haut le ciel est à notre portée
Est-ce un drone, une étoile?
Oh peu importe, fais un vœu
Le cadran essoufflé affiche une heure de couvre-feu
Cachaça, sucre canne, glaçons pilés
Mon petit cœur est un citron dans un mortier
Le ciel est clairsemé comme la piste de danse
Où sont passés les temps sereins
Où rien n'portait à conséquence
Un fragment de volupté
Un parfum, une archive, une fragrance d'été
Une fumée suffocante
Tes contours et mes pensées me fouettent
Comme une pluie battante sur le pas de passants pressés
Viennent des lueurs à la fenêtre
La nuit qui meurt pour voir un nouveau jour naître
Et comme le temps nous est compté
J'irai camper sur tes lèvres pour m'endormir à t'écouter

Vamo' a pé, caminhar na praia
E cair na gandaia
Nas ondas do amor
Vamo' a pé, caminhar na praia
E cair na gandaia
Nas ondas do amor

Balada brasileira (part. Flávia Coelho)

A cabeça gira como um dervixe
O álcool seca, um gosto amargo na boca
Minha língua, uma lâmina em um bolso áspero
O assoalho range sob nossas solas gastas de crianças ricas
Fumamos na cornija, dentro a música cobre as conversas
O amor engana, nos contentamos, as noites são frias
Amanhã dormiremos
Domingo no templo, o pastor fará apenas falsas pregações
Temos a vida pela frente para gastar nossas munições
Lá fora a cidade é linda como se eu fosse um barco turístico
Graus no vermelho, casais copulam na lua
Amiga, é alucinação
Esses 15 anos de idade transformam seus olhos em lagoa
Engarrafamento de garotas na frente dos banheiros
Merda, confundi as azeitonas com amendoins
Dançamos nossas solidões em ritmos binários
Todos no chão, o cérebro na névoa, há humor no ar
Nesses breves momentos, é o tempo que driblamos
Então me diga com o que estamos brincando antes do amanhecer

Vamos a pé, caminhar na praia
E cair na farra
Nas ondas do amor
A situação aqui está difícil
Faltando poesia, nenhum homem querendo compromisso
Para trocar uma ideia, na moral, é um suplício
Um cara que fala em poesia está desesperando por isso
Na pista, a gente dança, a temperatura é perfeita
É cedo, é meia-noite, é lua cheia
Seu perfume é Chanel de Paris
Você torce para o PSG
E me diz o que falta para você ser feliz
Sol, vento no rosto, chope gelada
Biquínis, sandália
Mais uma noite no Brasil
Vamos a pé, caminhar na praia
E cair na farra
Nas ondas do amor

Deitado, com a cabeça nas nuvens, a noite é azulada
Olhe para cima, lá em cima o céu está ao nosso alcance
É um drone, uma estrela?
Ah, não importa, faça um desejo
O relógio ofegante marca uma hora de toque de recolher
Cachaça, açúcar de cana, gelo picado
Meu coraçãozinho é um limão em um pilão
O céu está escasso como a pista de dança
Onde estão os tempos serenos
Onde nada tinha consequência
Um fragmento de volúpia
Um perfume, um arquivo, uma fragrância de verão
Uma fumaça sufocante
Seus contornos e meus pensamentos me açoitam
Como uma chuva torrencial no caminho de transeuntes apressados
Vêm as luzes na janela
A noite morrendo para ver um novo dia nascer
E como o tempo é contado para nós
Acamparei em seus lábios para adormecer te ouvindo

Vamos a pé, caminhar na praia
E cair na farra
Nas ondas do amor
Vamos a pé, caminhar na praia
E cair na farra
Nas ondas do amor

Composição: Flávia Coelho, Gael Feye