exibições de letras 3.173

Tema Bagual N° 2

Gaucho Bagual

LetraSignificado

    Barranquear é verbo xucro
    Mais velho que a monarquia
    Criado em fodologia
    De um modo pampeiro e franco
    Pois toda a lingua falada
    Tem sua definição
    É uma égua num barranco
    E um cuera de pau na mão

    O costume é muito antigo
    Quase da idade da vida
    Por alguma recolhida
    Pela madrugada clara
    Que algum xucro tapejara
    Incendiado de tesão
    Descobriu a invenção
    De equilibrar a taquara

    Piá de estância é caso sério
    Quando vai ficando homem
    Pra não sucumbir de fome
    Há de viver de gambeta
    Há de encontrar uma teta
    Escoro pra cabeçalho
    Pra não tronchear o caralho
    De tanto tocar punheta

    Esta história é de todos
    Vou contar, portanto, a minha
    Cresci fodendo galinha
    No maior desembaraço
    Arranquei tanto cabaço
    Sem cerimônia e nem prosa
    E larguei tanta penosa
    Renga de tanto piçasso

    Fui galo por muito tempo
    Desvirginei muita franga
    A piça era uma pitanga
    De tanto que trabalhava
    Até nem sei que gosto achava
    Naquela fodologia
    A pobre entrava e saía
    Mas porém nunca acabava

    Angola, coelho, seriema,
    Gansa, marreca, peru,
    Tudo passava na púa
    Marchando com o fodedor
    Uns a ferro, outros a dor
    Iam tomando no isqueiro
    Nem o galo do terreiro
    Escapou por ser cantor

    Se escapasse algum arisco
    Que me tirasse uma luz
    Mas fodi até avestruz
    Uma lebre e um bugio
    E até a puta que o pariu
    Um lagarto desgraçado
    Tinha o cú de atravessado
    E além disso muito frio

    Depois passei pro rebanho
    Já transformado em carneiro
    E vou lhe dizer parceiro
    Muito melhor que galinha
    Aquela buceta quentinha
    Que dá calor e dá frio
    E até deixa um arrepio
    Pelo sabugo da espinha

    Assim bem despreocupado
    A foda é muito gostosa
    Maneada como pra tosa
    Sentada no pau da gente
    Tendo aquela coisa bem quente
    Choromingando na piça
    Chega dar uma preguiça
    De dormir eternamente

    Cabra sim, nunca comi
    Nem marimbondo tampouco
    E dum jeito meio louco
    Me enrabei num urubu
    Até um sapo cururú
    Esculhambei da rabada
    Pois nunca errei a estocada
    Em bicho que tinha cú

    Agora, coisa especial é uma porca
    Tendo a gente por cachaço
    Bem limpinha e com cabaço
    No seco em noite de lua
    Ela se encosta e recua
    Rebola e salta pra frente
    Talvez pensando que a gente
    Tem piça em forma de púa

    As terneiras do chiqueiro
    Também entravam no ferro
    E quantas vezes um berro
    Soltado de sopetão
    Trouxe gente do galpão
    Correndo pra ver o que era
    Quase pegando este cuera
    Meio de guasca na mão

    Aí nesse meio tempo
    Depois de foder de tudo
    Eu já andava cuiudo
    Nas éguas de recolher
    Bem cedo, ao amanhecer
    Ainda na tesão da urina
    Eu tinha certo uma china
    E fodia a mais não poder

    Um barranquito qualquer
    Já estava arrumada a foda
    Dava uma bombeada em roda
    Cuidando de muito jeito
    Pra evitar que algum sujeito
    Desses que espiam a gente
    Gritasse assim, de repente:
    - Buenos dias, bom proveito

    Onde a mulher escasseia
    A coisa pega este rumo
    O índio que não tem pro fumo
    E não dá pra nada o que ganha
    E é por isso que se assanha
    Campeando substituto
    Nesse velho prostituto
    Dos rende-vous de campanha

    Certa vez, uma changuita
    Me pegou de barranqueio
    E me gritou: - Credo, que feio
    Cruzes, que relaxamento
    Porém me espiei de momento
    E vi que ela tava querendo
    Só assim acabei fodendo...
    Mulher é bicho ciumento
    O barranqueio é uma arte
    Que exige muita cautela
    Tem cada égua cadela
    Que a princípio se estaqueia
    Vira a cara, nos bombeia
    Fazendo que não tá braba
    Mas na hora do acaba
    Nos dá uma negada feia

    Assim termino essa história
    Nem alegre nem tristonha
    Piçasso, punheta, bronha
    Tudo num estilo só
    E quem não gostou tenha dó
    E vá comer um urubu
    Ou deixe as pregas do cú
    Na chonga dum burro-chó.


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Gaucho Bagual e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção