Maria Paola
Arrivó con i capelli blu,
con due nodi al posto delle mani,
l'espressione rattrapita
dalla realtá scucita
e con gli occhi strralunati,
Maria Paola, una scheda in clinica.
E parlava con l'aria,
rincorreva I colori,
era nata una donna esclusa.
Come mai, Maria Paola,
annullata, chiusa, allontanata?
E mi rivedo anch'io,
con le cinghie nei pensieri,
con la gente addosso, inchiodata,
con la carne a brandelli,
per liberarmi,
per liberarmi,
per liberarmi.
"Buona sera, scusi,
cerco Maria Paola,
sa quella ragazza dell'anno
scorso con I capelli blu?"
La rivedo, sul letto rilasciata,
con le mani senza presa,
coi capelli senza blu,
con la mente spappolata
dagli elettro shock.
Mi hanno detto:
"È ancora in cura".
Almeno prima
parlava con l'aria,
rincorreva I colori,
Maria Paola…
Maria Paola
Chegou com o cabelo azul,
com dois nós no lugar das mãos,
a expressão amargurada
pela realidade desfeita
e com os olhos arregalados,
Maria Paola, uma ficha na clínica.
E falava com ares,
perseguia as cores,
nasceu uma mulher excluída.
Como assim, Maria Paola,
aniquilada, fechada, afastada?
E eu me vejo também,
com as amarras nos pensamentos,
com a gente em cima, paralisada,
com a carne em pedaços,
para me libertar,
para me libertar,
para me libertar.
"Boa noite, desculpe,
procuro Maria Paola,
sabe, aquela garota do ano
passado com o cabelo azul?"
Eu a vejo de novo, na cama relaxada,
com as mãos sem força,
sem o cabelo azul,
com a mente estilhaçada
pelos eletrochoques.
Disseram-me:
"Ela ainda está em tratamento".
Pelo menos antes
ela falava com ares,
perseguia as cores,
Maria Paola…
Composição: Gianna Nannini