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Piolho de Cobra

Gildomar Marinho

Lá vem, lá vem
Serpenteando sobre os trilhos
Bem antes do Sol com seu brilho
O trem cotidiano
E no vagão que me descubro
Peão de obra, sem escudo
Encabulado e mudo
E meu olhar distante
Canteiro, peão se dobra
Feito piolho de cobra
Vida sem muita sobra
E o mesmo trem que leva, traz
Sempre para o mesmo lugar
Lá vem, lá vem
Um sonho a mais no fim do dia
Fim de semana de alegria
De futebol e nada
No fim do mês, um novo sonho
Um brinde, um trago à velha vida
Me deixa a garganta ardida
E o meu corpo solto

Terreiro é meu canto certo
Batuco um samba esperto
É meu anti-deserto
Ainda mais quando você
Me leva pra outro lugar
Canteiro, peão se dobra
Feito piolho de cobra
Vida sem muita sobra
E o mesmo trem que leva, traz
Sempre para o mesmo lugar


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