395px

O Comportamento

Giorgio Gaber

Il comportamento

Mio nonno è sempre mio nonno
è sempre Ambrogio in ogni momento
voglio dire che non ha problemi di comportamento.

Ma io non assomiglio ad Ambrogio
l'interezza non è il mio forte
per essere a mio agio
ho bisogno di una parte.

Per esempio, quando sto in campagna
ed accendo il fuoco nel camino
lentamente raccolgo la legna
e mi muovo come un contadino

e se in treno incontro una donna
io mi invento serio e riservato
faccio quello che parla poco
ma c'ha dietro tutto un passato.

E se mi viene bene
se la parte mi funziona
allora mi sembra di essere una persona.

Qualche volta metto il mio giaccone
grigio verde tipo guerrigliero
me lo metto e ci aggiusto il mio corpo (1)
e già che ci sono anche il mio pensiero

e se invece sto leggendo Hegel
mi concentro, sono tutto preso
non da Hegel, naturalmente
ma dal mio fascino di studioso.

E se mi viene bene
se la parte mi funziona
allora mi sembra di essere una persona.

Mio nonno si è scelto una parte
che non cambia in ogni momento
voglio dire che c'ha un solo comportamento.

Io invece ho sempre bisogno
di una nuova definizione
del resto lo fanno tutti (2)
è una tacita convenzione.

Ma da oggi ho voglia di gridare
che non sono stato mai me stesso
e dichiaro senza pudore
che io recito come un fesso.

E se mi viene bene
se la parte mi funziona
allora mi sembra di essere una persona.

Se un giorno noi cercassimo
chi siamo veramente
ho il sospetto
che non troveremmo niente.

O Comportamento

Meu avô é sempre meu avô
é sempre Ambrogio em todo momento
quero dizer que ele não tem problemas de comportamento.

Mas eu não me pareço com Ambrogio
ser inteiro não é meu forte
pra me sentir à vontade
preciso de uma parte.

Por exemplo, quando estou no campo
e acendo o fogo na lareira
eu vou juntando a lenha devagar
e me movo como um agricultor.

E se no trem encontro uma mulher
eu me faço de sério e reservado
faço o tipo que fala pouco
mas tem todo um passado por trás.

E se eu me sair bem
se a parte funcionar pra mim
então parece que sou uma pessoa.

Às vezes coloco meu casaco
cinza e verde, tipo guerrilheiro
me visto e ajeito meu corpo
e já que estou nisso, também meu pensamento.

E se em vez disso estou lendo Hegel
me concentro, estou totalmente absorvido
não por Hegel, claro
mas pelo meu charme de estudioso.

E se eu me sair bem
se a parte funcionar pra mim
então parece que sou uma pessoa.

Meu avô escolheu uma parte
que não muda a todo momento
quero dizer que ele tem um único comportamento.

Eu, por outro lado, sempre preciso
de uma nova definição
e no fundo, todo mundo faz isso
é uma convenção tácita.

Mas a partir de hoje eu quero gritar
que nunca fui eu mesmo
e declaro sem pudor
que eu atuo como um idiota.

E se eu me sair bem
se a parte funcionar pra mim
então parece que sou uma pessoa.

Se um dia nós procurássemos
quem somos de verdade
suspeito
que não encontraríamos nada.