exibições de letras 11

De tão cansado de andar no chão da imensa Galileia
Teus pés doridos palmilharam ondas desse nosso mar
Tua cabeça repousou pesada neste humilde barco
Mas nem um oceano conteria todo o teu estar

Eu te ofereço um verso livre, um gesto, um canto de acalanto
Uma canção tardia junto ao berço que não te embalou
Repousa, ó Mestre, entre as redes rotas deste meu destino
E o desalinho dessas roupas rudes que o mar lavou

Que sonharás, ó grande sonhador que és nosso grande sonho?
Será que pensas como alimentar famintas multidões?
Passeias longe por montanhas altas e amplidões desertas?
Por um segundo esquece a dor do mundo e suas aflições

Há tanta estrela neste céu faminto por sinal divino
A procurar um grande rei menino vindo de Belém
E nós também, passados esses anos, fomos te seguindo
Entre os caminhos e redemoinhos que essa vida tem

Repousa, ó Mestre, enquanto atravessamos essa calmaria
Navegaremos por um breve tempo e adormecerás
E numa noite, eterna noite, cheia de cruéis temores
Nós dormiremos num jardim secreto e tu vigiarás
E numa noite, eterna noite, cheia de cruéis temores
Nós dormiremos num jardim secreto e tu vigiarás

Composição: Gladir Cabral. Essa informação está errada? Nos avise.

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