Sultão do Mato
Minha guia é de conta encarnada
De búzio da costa, de conchinha azul
No pescoço ela dá sete voltas
E traz pendurado o Cruzeiro do Sul
Eu não sei que santo é esse, meu mano
Mas o dia que eu souber eu não conto
Ele tem na mão direita um abano
E na esquerda o seu bastão de confronto
Quando desce é pra açoitar desengano
Na batida do adjá chega pronto
Ele é meio índio, meio africano
Mano vem que eu vou puxar o seu ponto
Minha guia é de conta encarnada
De búzio da costa, de conchinha azul
No pescoço ela dá sete voltas
E traz pendurado o Cruzeiro do Sul
É de palha, é de pena, é de pano
O seu traje de sultão com Xavante
No turbante, no cocar soberano
Brilha a estrela de um metal flamejante
Veste com força de terra e oceano
Esse santo, mano, é que me garante
Bate logo o toque dele meu mano
Anda que ele está querendo que eu cante
Minha guia é de conta encarnada
De búzio da costa, de conchinha azul
No pescoço ela dá sete voltas
E traz pendurado o Cruzeiro do Sul
Sultão do Mato
Minha guia é de conta vermelha
De búzio da praia, de conchinha azul
No pescoço ela dá sete voltas
E traz pendurado o Cruzeiro do Sul
Eu não sei que santo é esse, meu irmão
Mas no dia que eu souber, eu não conto
Ele tem na mão direita um leque
E na esquerda o seu bastão de confronto
Quando desce é pra dar uma lição
Na batida do adjá chega firme
Ele é meio índio, meio africano
Irmão, vem que eu vou puxar o seu ponto
Minha guia é de conta vermelha
De búzio da praia, de conchinha azul
No pescoço ela dá sete voltas
E traz pendurado o Cruzeiro do Sul
É de palha, é de pena, é de pano
O seu traje de sultão com Xavante
No turbante, no cocar soberano
Brilha a estrela de um metal flamejante
Veste com força de terra e oceano
Esse santo, irmão, é quem me garante
Bate logo o toque dele, meu irmão
Anda que ele tá querendo que eu cante
Minha guia é de conta vermelha
De búzio da praia, de conchinha azul
No pescoço ela dá sete voltas
E traz pendurado o Cruzeiro do Sul
Composição: Paulo César Pinheiro