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Letra

    A nau de um deles tinha-se perdido
    No mar indefinido
    O segundo pediu licença ao Rei
    De, na fé e na lei
    Da descoberta, ir em procura
    Do irmão no mar sem fim e a névoa escura

    Tempo foi, nem primeiro, nem segundo
    Volveu do fim profundo
    Do mar ignoto à pátria por quem dera
    O enigma que fizera
    Então o terceiro a El-Rei rogou
    Licença de os buscar, e El-Rei negou

    Como a um cativo, o ouvem a passar
    Os servos do solar
    E, quando o veem, veem a figura
    Da febre e da amargura
    Com fixos olhos rasos de ânsia
    Fitando a proibida azul distância

    Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
    O Poder e o Renome
    Ambos se foram pelo mar da idade
    À tua eternidade
    E com eles de nós se foi
    O que faz a alma poder ser de herói

    Queremos ir buscá-los, desta vil
    Nossa prisão servil
    É a busca de quem somos, na distância
    De nós e, em febre de ânsia
    A Deus as mãos alçamos

    Mas Deus não dá licença que partamos

    Composição: Fernando Pessoa / André Luiz Oliveira. Essa informação está errada? Nos avise.

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