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As Terras Molhadas

Graziella de Michèle

Les terres mouillées

Comprendrais-tu ma belle qu'un jour
Fatigué j'ail-le me briser la voix
Une dernière fois à cent vingt dé-ci-bels
Contre un grand châtaigner d'amour pour toi

Trouverais-tu cruel
Que le doigt sur la bouche
Je t'emmène, hors des villes
En un fort, une presqu'île
Oublier nos duels
Nos escarmouches
Nos peurs imbéciles
On irait y attendre
La fin des combats
Jeter aux vers, aux vautours
Tous nos plus beaux discours
Ces mots qu'on rêvait d'entendre
Et qui n'existent pas
Y devenir sourds

Il est un estuaire à nos fleuves de soupirs
Où l'eau mêle nos mystères et nos belles différences
J'y apprendrai à me taire et tes larmes retenir
Dans cet autre Finistère aux longues plages de silence

Trouverais-tu cruel
Que le doigt sur la bouche
Je t'emmène, hors des villes
En un fort, une presqu'île
Oublier nos duels
Nos escarmouches
Nos peurs imbéciles
On irait y attendre
La fin des combats
Jeter aux vers, aux vautours
Tous nos plus beaux discours
Ces mots qu'on rêvait d'entendre
Et qui n'existent pas
Y devenir sourds

Il est un estuaire à nos fleuves de soupirs
Où l'eau mêle nos mystères et nos belles différences
J'y apprendrai à me taire et tes larmes retenir
Dans cet autre Finistère aux longues plages de silence

Bien sûr on se figure
Que le monde est mal fait
Que les jours nous abiment
Comme de la toile de Nîmes
Qu'entre nous, il y a des murs
Qui jamais ne fissurent
Que même l'air nous opprime
Et puis on s'imagine
Des choses et des choses
Que nos liens c'est l'argile
Des promesses faciles
Sans voir que sous la patine
Du temps, il y a des roses
Des jardins fertiles

Il est un estuaire à nos fleuves de soupirs
Où l'eau mêle nos mystères et nos belles différences
J'y apprendrai à me taire et tes larmes retenir
Dans cet autre Finistère aux longues plages de silence

Car là-haut dans le ciel
Si un jour je m'en vais
Ce que je voudrais de nous
Emporter avant tout
C'est le sucre, et le miel
Et le peu que l'on sait
N'être qu'à nous

As Terras Molhadas

Você entenderia, minha linda, que um dia
Cansado, eu vou me quebrar a voz
Uma última vez a cento e vinte decibéis
Contra um grande castanheiro de amor por você

Você acharia cruel
Que o dedo sobre a boca
Eu te leve, pra longe das cidades
Pra um forte, uma ilha
Esquecer nossos duelos
Nossas escaramuças
Nossos medos bobos
A gente iria esperar lá
O fim das batalhas
Jogar aos vermes, aos abutres
Todos os nossos melhores discursos
Essas palavras que sonhávamos ouvir
E que não existem
Ficar surdos lá

Há um estuário para nossos rios de suspiros
Onde a água mistura nossos mistérios e nossas belas diferenças
Lá eu vou aprender a me calar e a conter suas lágrimas
Nesse outro Finistère com longas praias de silêncio

Você acharia cruel
Que o dedo sobre a boca
Eu te leve, pra longe das cidades
Pra um forte, uma ilha
Esquecer nossos duelos
Nossas escaramuças
Nossos medos bobos
A gente iria esperar lá
O fim das batalhas
Jogar aos vermes, aos abutres
Todos os nossos melhores discursos
Essas palavras que sonhávamos ouvir
E que não existem
Ficar surdos lá

Há um estuário para nossos rios de suspiros
Onde a água mistura nossos mistérios e nossas belas diferenças
Lá eu vou aprender a me calar e a conter suas lágrimas
Nesse outro Finistère com longas praias de silêncio

Claro que a gente imagina
Que o mundo é mal feito
Que os dias nos desgastam
Como um tecido de Nîmes
Que entre nós, há muros
Que nunca se racham
Que até o ar nos oprime
E então a gente imagina
Coisas e mais coisas
Que nossos laços são argila
Promessas fáceis
Sem ver que sob a pátina
Do tempo, há rosas
Jardins férteis

Há um estuário para nossos rios de suspiros
Onde a água mistura nossos mistérios e nossas belas diferenças
Lá eu vou aprender a me calar e a conter suas lágrimas
Nesse outro Finistère com longas praias de silêncio

Pois lá em cima no céu
Se um dia eu partir
O que eu gostaria de nós
Levar antes de tudo
É o açúcar, e o mel
E o pouco que sabemos
Ser só nosso

Composição: Graziella de Michèle