Ipercarmela
La cucina era vuota, il bicchiere a metà,
l'uomo guardava serio il muro e poi seguiva
il fumo che saliva lento verso la lampadina.
La stagione era quasi finita, l'uomo
pensava "Questa è casa mia".
Nella stanza del letto, la donna grassa e nervosa,
sfogliava un giornale a colori:
la vita di una donna, bionda, famosa e ricca,
con qualche anno in meno.
Qualche anno di meno, pensò, e lei somiglierebbe a me.
E il tempo passa come una colomba
sulla casa dell'uomo e della donna.
Dentro una città pulita e violenta
la donna partorì una stella e la chiamò Carmela,
figlia di suo padre e sua madre,
fiocco rosa da crescere in fretta.
Rideva quasi sempre e piangere non piangeva, mai.
Ipercarmela
A cozinha estava vazia, o copo pela metade,
o homem olhava sério para a parede e depois seguia
o fumo que subia devagar em direção à lâmpada.
A temporada estava quase acabando, o homem
pensava "Esta é a minha casa".
No quarto, a mulher gorda e nervosa,
folheava uma revista colorida:
a vida de uma mulher, loira, famosa e rica,
com alguns anos a menos.
Alguns anos a menos, pensou, e ela se pareceria comigo.
E o tempo passa como uma pomba
sobre a casa do homem e da mulher.
Dentro de uma cidade limpa e violenta
a mulher deu à luz uma estrela e a chamou de Carmela,
filha de seu pai e de sua mãe,
laço rosa para crescer rápido.
Ria quase sempre e chorar, nunca chorava.
Composição: Francesco De Gregori