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Barrigueira

Grupo Trinnca

Letra

    Cruzo rastros e picadas
    Tal como campo dobrado
    Escuto o mugir do gado
    E o ranger de tanto arreio
    Me atento ao mascar do freio
    D'algum pingo bem domado
    No meu viver apertado
    Junto ao pêlo de um oveiro

    Às vezes dependurada
    Diante ao olhar dos galpões
    Sei de prozas e reuniões
    Anunciando outra jornada
    Talvez aquela invernada
    Onde morreu um terneiro
    Quem sabe o campo do meio
    Onde está a égua bragada

    Eu também ando juntinho
    Daquele pelo tostado
    Que sempre me faz costado
    Vivendo os dias e as horas
    “Mas nego a pua da espora
    Que me espinha, sofrenando
    E enquanto ela vai cantando”
    É o meu semblante que chora

    Avisto o verde dos pastos
    Os cascos lutar com as pedras
    Contemplo pelas macegas
    O voar de um perdiz
    Estou junto a cicatriz
    D’um flete manso do arreio
    Bem onde perdeu-se o pelo
    Com aquele sangue matiz

    Eu cansei com o forcejo
    N'algum manso mais pesado
    Andei frouxa nos delgados
    Ou com nó pra dar aperto
    Mas me ajeitam a preceito
    Os que sabem da importância
    Que carrego nas distâncias
    Por segura e por respeito

    É meu oficio de barrigueira
    Dar sustento ao arreio
    Apertada bem ao meio
    Com o látego e o travessão
    Ando junto em comunhão
    Com as mais distintas pelagens
    E trago na minha imagem
    Um corpo feito em algodão!

    Composição: Dudi Marafigo / Gabriel Maculan / Ricardo Oliveira. Essa informação está errada? Nos avise.

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