395px

Nossa Senhora da Hipocrisia

Guccini Francesco

Nostra Signora Dell'Ipocrisia

Alla fine della baldoria c'era nell' aria un silenzio strano,
qualcuno ragliava con meno boria e qualcun altro grugniva piano;
alle sfilate degli stilisti si trasgrediva con meno allegria
ed in quei visi sazi e stravisti pulsava un' ombra di malattia.
Un artigiano di scoop forzati scrisse che Weimar già si scorgeva
e fra biscotti sponsorizzati videro un anchorman che piangeva
e poi la nebbia discese a banchi ed il barometro segnò tempesta,
ci risvegliammo più vecchi e stanchi, amaro in bocca, cerchio alla testa...

Il mercoledì delle Ceneri ci confessarono bene o male
che la festa era ormai finita e ormai lontano il carnevale
e proclamarono penitenza e in giro andarono col cilicio
ruttando austeri: "Ci vuol pazienza! Siempre adelante ma con juicio!"
E fecero voti con faccia scaltra a Nostra Signora dell' Ipocrisia
perchè una mano lavasse l' altra, tutti colpevoli e così sia!
E minacciosi ed un po' pregando, incenso sparsero al loro Dio,
sempre accusando, sempre cercando il responsabile, non certo io...

La domenica di Mezza Quaresima fu processione di etere di Stato
dai puttanieri a diversi pollici dai furbi del " chi ha dato ha dato "
ed echeggiarono tutte le sere, come rintocchi schioccanti a morto,
amen, mea culpa e miserere, ma neanche un cane che sia risorto
e i cavalieri di tigri a ore e i trombettieri senza ritegno
inamidarono un nuovo pudore, misero a lucido un nuovo sdegno:
si andò alle prime con casto lusso e i quiz pagarono sobri milioni
e in pubblico si linciò il riflusso per farci ridiventare buoni...

Così domenica dopo domenica fu una stagione davvero cupa,
quel lungo mese della quaresima, rise la iena, ululò la lupa,
stelle comete ed altri prodigi facilitarono le conversioni,
mulini bianchi tornaron grigi, candidi agnelli certi ex-leoni.
Soltanto i pochi che si incazzarono dissero che era l' usato passo
fatto dai soliti che ci marciavano per poi rimetterlo sempre là, in basso!
Poi tutto tacque, vinse ragione, si placò il cielo, si posò il mare,
solo qualcuno in resurrezione, piano, in silenzio, tornò a pensare...

Nossa Senhora da Hipocrisia

No final da festa havia no ar um silêncio estranho,
alguém relinchava com menos arrogância e outro resmungava baixo;
nas passarelas dos estilistas a transgressão era com menos alegria
e em aqueles rostos satisfeitos e desgastados pulsava uma sombra de doença.
Um artesão de furos forçados escreveu que Weimar já se avistava
e entre biscoitos patrocinados viram um apresentador que chorava
e então a neblina desceu a bancos e o barômetro marcou tempestade,
acordamos mais velhos e cansados, amargo na boca, dor de cabeça...

Na Quarta-feira de Cinzas nos confessaram, mais ou menos
que a festa já tinha acabado e o carnaval estava longe
e proclamaram penitência e andaram por aí com cilício
arrotando austeros: "É preciso paciência! Sempre em frente, mas com juízo!"
E fizeram promessas com cara de malandros a Nossa Senhora da Hipocrisia
porque uma mão lava a outra, todos culpados e assim seja!
E ameaçadores e um pouco rezando, espalharam incenso ao seu Deus,
sempre acusando, sempre procurando o responsável, não sou eu...

No domingo de Meia Quaresma foi uma procissão de etéreo estatal
dos cafetões a vários polegares dos espertos do "quem deu, deu"
e ecoaram todas as noites, como sinos estalando a morte,
amém, mea culpa e miserere, mas nem um cachorro que tenha ressuscitado
e os cavaleiros de tigres a horas e os trompetistas sem pudor
inibiram um novo pudor, poliram um novo desprezo:
foram às estreias com luxo casto e os quizzes pagaram sóbrios milhões
e em público lincharam o refluxo para nos fazer voltar a ser bons...

Assim, domingo após domingo, foi uma temporada realmente sombria,
aquele longo mês da quaresma, riu a hiena, uivou a loba,
estrelas cadentes e outros prodígios facilitaram as conversões,
moinhos brancos voltaram a ser cinzas, cordeiros brancos, certos ex-leões.
Somente os poucos que se irritaram disseram que era o passo habitual
feito pelos mesmos que lucravam para depois colocar tudo de volta, lá embaixo!
Então tudo silenciou, a razão venceu, o céu se acalmou, o mar se aquietou,
só alguém em ressurreição, devagar, em silêncio, voltou a pensar...

Composição: