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A Bebedeira

Yvette Guilbert

La soularde

On n'lui connaît aucun parent
A Clichy pour cent francs par an
Elle couche par terre dans une mansarde,
La soûlarde.

Dès la matin on peut la voir
Sur le pavé, sur le trottoir
Cheminer, la mine hagarde,
La soûlarde.

Un ancien châle à même la peau
Coiffée d'travers d'un vieux chapeau
En marchant, toute seule elle bavarde,
La soûlarde.

Les mastroquets, les rigolos
Sur le seuil de leur caboulot
Se disent "Ah ! Quelle sale tocarde,
La soûlarde !"

Bien égarée, cherchant son trou
Allant souvent sans savoir où
Loin d'la barrière elle se hasarde,
La soûlarde.

Un tas de gamins l'entourant
Criant, chantant, sautant, courant,
Et portent, ainsi qu'une garde,
La soûlarde.

Mais elle, indifférente à tout,
Va devant elle n'importe où
Alors de cailloux, on bombarde
La soûlarde.

Sensible à ce brutal affront
Du sang lui coulant sur le front
Elle se retourne et regarde,
La soûlarde.

Tous interrompant leur lazzis
Ayant le cœur d'effroi saisi
Devant les regards que leur darde
La soûlarde.

Au milieu des passants surpris
Baladant d'ces cheveux gris
Pour sûr, elle est vraiment tocarde,
La soûlarde.

Pourtant, ouvrier ou gamin,
Laisse-la passer son chemin !
Qui sait le noir souci que garde
La soûlarde ?

A Bebedeira

Não se conhece nenhum parente dela
Em Clichy, por cem francos por ano
Ela dorme no chão de um sótão,
A bebedeira.

Logo de manhã, dá pra ver
Na calçada, no meio do povo
Caminhando, com cara de quem não tá bem,
A bebedeira.

Um chale velho na pele exposta
Com um chapéu torto na cabeça
Andando sozinha, ela fala sozinha,
A bebedeira.

Os botecos, os engraçadinhos
Na porta do seu barzinho
Dizem: "Ah! Que mulher sem vergonha,
A bebedeira!"

Bem perdida, procurando seu canto
Andando sem saber pra onde
Longe da barreira, ela se arrisca,
A bebedeira.

Um monte de crianças a cercando
Gritando, cantando, pulando, correndo,
E levam, como se fosse uma guarda,
A bebedeira.

Mas ela, indiferente a tudo,
Vai pra frente, não importa onde
Então, com pedras, a bombardeiam,
A bebedeira.

Sensível a essa brutal ofensa
Com sangue escorrendo pela testa
Ela se vira e observa,
A bebedeira.

Todos parando suas brincadeiras
Com o coração tomado de medo
Diante dos olhares que ela lança,
A bebedeira.

No meio dos passantes surpresos
Com seus cabelos grisalhos balançando
Com certeza, ela é realmente sem vergonha,
A bebedeira.

No entanto, trabalhador ou criança,
Deixa ela passar na sua dança!
Quem sabe a dor que ela guarda,
A bebedeira?

Composição: