Ma rose
Dans une heure environ, quand le corps sera froid
Quand sous terre, sur le dos
On aura croisé tes doigts
Dans cette chambre de fin
Cette forteresse en bois
Que ton âme s'envole au-dessus de nos toits
Je n'dis rien, à ton âge
Je n'dirai pas tes cheveux
Ni tes mains, ton odeur, tes grands
Tes grands yeux bleus
Je tairais ta magie et tes envoûtements
Chuchoterai ta douceur, de temps en temps
Ne me parlez pas de Dieu!
Ne me parlez pas de croix!
Ne me parlez pas pour eux!
Ne me parlez pas de foi!
Oubliez vos vieux livres
Oubliez vos vieux pères
Vos versets pour les faibles
Vos clochers de vipères
Vos histoires pour enfants
Que c'est beau, que c'est grand
De mettre genou à terre
Tout un peuple mourrant justifiant la misère
De divines déconvenues
QUand les blessés, les fiers
Ne viendront pas non plus
En dégoulinant et gras
Transpirant de confort, empiffrés de bêtise
De maléfiques accords
Abreuvés au vin rouge, et autres pains ridicules
Aveuglant les présents
Tout un peuple crédule
Je te promets ma rose
Je te promets ma fleur
Que j'arrive en ce rien
De planches où tu reposes
Pour allonger à côté
Nos vieux corps fanés
Et ma main dans ta main
Pourrir dans ce rien
Minha Rosa
Em cerca de uma hora, quando o corpo estiver frio
Quando debaixo da terra, de costas
Tivermos cruzado seus dedos
Nesta sala de fim
Esta fortaleza de madeira
Que sua alma voe acima dos nossos telhados
Não digo nada, na sua idade
Não falarei do seu cabelo
Nem das suas mãos, do seu cheiro, dos seus grandes
Seus grandes olhos azuis
Silenciarei sua magia e seus encantos
Sussurrarei sua doçura, de vez em quando
Não me falem de Deus!
Não me falem de cruz!
Não me falem por eles!
Não me falem de fé!
Esqueçam seus velhos livros
Esqueçam seus velhos pais
Seus versículos para os fracos
Seus sinos de víboras
Suas histórias para crianças
Como é bonito, como é grandioso
Se ajoelhar no chão
Todo um povo morrendo justificando a miséria
De divinas desilusões
Quando os feridos, os orgulhosos
Não virão também
Desaguando e gordurosos
Transpirando conforto, empanturrados de burrice
De acordos malignos
Bebendo vinho tinto, e outros pães ridículos
Ofuscando os presentes
Todo um povo crédulo
Eu te prometo minha rosa
Eu te prometo minha flor
Que chego nesse nada
De tábuas onde você repousa
Para me deitar ao seu lado
Nossos velhos corpos murchos
E minha mão na sua mão
Apodrecer nesse nada
Composição: Guillaume Grand