395px

Testamento

Guillermo Anderson

Testamento

Fuera gritos pedí a la turba
Mi muerte con insultos y rencor
Pero sé bien que Dios dio voz al hombre
Para construir palabras con amor

Dicté mi pensamiento entre los gritos
Sereno ante el destino de mi suerte
Mi hijo y compañero de mis triunfos
Confirma mi derrota ante la muerte

Sabiendo que a la muerte vamos solos
Sin miedo a mi destino me entregué
Y antes de entrar a lo desconocido
Otros abriles y septiembres recordé recordé

Que solo fui un momento en esta historia
La cual no se termina de escribir
Que no muere el afecto nunca muere
Cincuenta años no habría yo de cumplir

Qué sólida mi voz habría de dar
La orden de mi propia ejecución
Que no me amedrentaba aquella turba
Qué es dulce la venganza del perdón

Que el ansia de la libertad es dueña
De los espíritus que aman lo bueno
Duerme en la sangre y no nos abandona
Solo para renovarlo nacemos

Que sí no fui sabio para la ciencia
O a veces me faltó algo de valor
La voluntad de la unidad me sobra
Me sobra voluntad la del amooor

Que a nadie hay que privarlo de la vida
Cuál bestia sin juicio y sin defensa
Que las ideas libertarias brillan
Como la luz del Sol la más intensa

Y lo que dejo no es sencillamente
Cuatro pensamientos redactados
Cuánto pasará hasta que se entienda
Que mi vida entera es mi legado

Nuevas generaciones evocando
Con error y abuso mi memoria
Se ha roto el fino hilo de plata
Haciendo a batallar desde la historia

Testamento

Fora gritos pedi à multidão
Minha morte com insultos e rancor
Mas sei bem que Deus deu voz ao homem
Pra construir palavras com amor

Ditava meu pensamento entre os gritos
Sereno diante do destino da minha sorte
Meu filho e companheiro dos meus triunfos
Confirma minha derrota ante a morte

Sabendo que à morte vamos sozinhos
Sem medo do meu destino me entreguei
E antes de entrar no desconhecido
Outros abriles e setembros lembrei, lembrei

Que só fui um momento nesta história
A qual não se termina de escrever
Que o afeto nunca morre, nunca morre
Cinquenta anos não iria eu completar

Que sólida minha voz haveria de dar
A ordem da minha própria execução
Que não me amedrontava aquela turba
Que é doce a vingança do perdão

Que a ânsia de liberdade é dona
Dos espíritos que amam o que é bom
Dorme no sangue e não nos abandona
Só pra renová-lo nascemos

Que sim, não fui sábio pra ciência
Ou às vezes me faltou um pouco de coragem
A vontade da unidade me sobra
Me sobra vontade a do amor

Que a ninguém há que privar da vida
Qual besta sem juízo e sem defesa
Que as ideias libertárias brilham
Como a luz do Sol, a mais intensa

E o que deixo não é simplesmente
Quatro pensamentos redigidos
Quanto tempo vai passar até que se entenda
Que minha vida inteira é meu legado

Novas gerações evocando
Com erro e abuso minha memória
Se rompeu o fino fio de prata
Fazendo a batalhar desde a história

Composição: Guillermo Anderson