Por Un Tango
¡oh! mujer, que te fuiste llevando
La ilusión de unas horas felices,
Por un tango de suaves matices
Que al son de una orquesta
Sonora, vibró...
Yo que vi tu existencia alejada
De las viles ruindades del fango,
Hoy maldigo los sones del tango
Que pudo inducirte a tan cruel acción.
No he de pedirte que vuelvas,
Ni quiero que en tu abandono
Sepas que hasta sin encono
Te he sabido perdonar...
Mas no por esa indulgencia
De mi proceder te asombres,
Porque yo soy de esos hombres
Que se saben resignar.
Cuando sea de tu vida agotada
Por el vicio fatal y traidor,
Como enferma mendiga, mi amor,
Vendrás implorando como caridad.
Pero es tarde, no tienes remedio,
Yo no puedo vivir sin quererte,
Tú has cambiado mi plácida suerte
Y, altivo, la muerte prefiero afrontar.
Te alejaste presurosa,
Desoyendo, en las delicias
De tus ardientes caricias,
Emblema de paz y amor.
Y hoy, que no siento tus besos
De sentir enamorada,
Como en tu vida pasada
Los ayes de mi dolor.
Por Um Tango
¡oh! mulher, que se foi levando
A ilusão de algumas horas felizes,
Por um tango de suaves matizes
Que ao som de uma orquestra
Sonora, vibrou...
Eu que vi sua existência afastada
Das vilanias mesquinhas do lodo,
Hoje amaldiçoo os sons do tango
Que pôde te induzir a tão cruel ação.
Não vou te pedir pra voltar,
Nem quero que, no seu abandono,
Saiba que até sem rancor
Eu soube te perdoar...
Mas não se espante com essa indulgência
Do meu proceder,
Porque eu sou desses homens
Que sabem se resignar.
Quando a sua vida estiver esgotada
Pelo vício fatal e traiçoeiro,
Como uma mendiga doente, meu amor,
Você virá implorando como caridade.
Mas é tarde, não tem remédio,
Eu não posso viver sem te amar,
Você mudou minha sorte tranquila
E, altivo, a morte prefiro encarar.
Você se afastou apressada,
Desatendendo, nas delícias
De suas ardentes carícias,
Emblema de paz e amor.
E hoje, que não sinto seus beijos
De sentir apaixonada,
Como na sua vida passada
Os gemidos da minha dor.