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Aquarela Aporreada

Guto Gonzalez

LetraSignificado

    Meus olhos vertem passagens
    Que dentro da alma trago
    E pinto nesta aquarela
    As coisas simples e belas
    Que tem a essência do pago

    O passarinho do toso
    Um bagual de queixo atado
    Um touro afiando guampa
    Pra uma briga num pelado

    A figueira legendária
    O mangueirão entaipado
    São retratos de Rio Grande
    Quadro lindo, exuberante
    De um jeito macho pintado

    A trança, suja das bruxas
    Roçando no maneador
    Um couro pampa espichado
    Num quadro estaqueador
    O vulto de um boi franqueiro
    Bem na frente do Sol pôr

    O sangue que deixa o rastro
    Da morte, molhando o pasto
    E a adaga do sangrador
    A ficha batendo lata
    Mão buena de esquilador
    O estouro forte da terra
    Nos golpes do socador

    Machado lascando angico
    No lombo dum picador
    O aroma doce, campeiro
    Do arroz de carreteiro
    Na trempe de alambrador

    A fumaça do candeeiro
    Que se esparrama na sala
    O gaiteiro relampeado
    Numa vaneira baguala

    O payador guitarreiro
    De adaga, melena e pala
    Um bochincho dos coiceiros
    De chinas e caborteiros
    Quando termina na bala

    Uma bexiga de sebo
    Na fumaça dum tição
    O picumã que se agarra
    Nas tesouras do galpão

    A graxa que frouxa a terra
    No derredor do fogão
    Coalhando a marca do espeto
    Bem ali enxergo o jeito
    Das coisas deste meu chão

    Um parelheiro amilhado
    Pra um domingo em partidor
    Um touro osco, sujeito
    Na argola do cinchador
    A confiança e o cabresto
    Nas mãos do amadrinhador

    Vejo o pago fachudaço
    Em cicatrizes de laço
    Que fica no tirador
    Cheiro de pelo queimando
    Marca quente, colorada

    Tropeiro gritando talha
    Tropa gorda, afinada
    O retumbo do tropel
    Recolutando a potrada

    Canto de galo no oitão
    Tem o tom deste meu chão
    Nesta aquarela aporreada
    Um potro pateando os ferros
    Corcoveando campo a fora

    Um Quero-Quero entonado
    O ferro preto da espora
    Um mate bem espumado
    Antes do romper da aurora

    Tem o gosto desse pago
    E o topete do amargo
    Um coxilhão rememora

    São essas coisas pra mim!
    Nas cores, jeitos, perfumes
    Que trazem dentro de si
    A diferença no lume

    De tudo aquilo que é nosso
    Por singular se assume
    Dos vários pendões da pampa
    A mais gaúcha estampa
    Nossa bandeira resume

    Dos vários pendões da pampa
    A mais gaúcha estampa
    Nossa bandeira resume

    Composição: Guto Gonzalez. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Paty. Revisões por 3 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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