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Bem de baixo

Héctor Negro

Bien de abajo

Yo soy bien de abajo y anduve a los tumbos
cuerpeando la mala y al fin le gané.
Me pesó en el lomo conservar el rumbo.
Me costó mis golpes, pero no aflojé.

Peleé por la luz que quisieron robarme
y si perdí cosas, salvé lo mejor.
Hoy tengo el orgullo de no doblegarme.
De saber que nadie me vende un buzón.

Por eso mi tango nació retobado.
Porque me he cansado de ver aguantar.
Cuando creo en alguien, me pongo a su lado.
Y si estoy jugado no me vuelvo atrás.

Y si es que mi vida
la vivo a los saltos,
tengo tanto asfalto,
que caigo "parao".

Soy sangre rebelde, muchacho de abajo.
Yo creo en mis brazos, en lo que ellos dan.
Y del lado izquierdo me caigo a pedazos,
cuando unos ojazos me miran de más.

Mi barrio y mi gente escuchan mi credo
que a los barquinazos aprendí a cantar.
Como un canto arisco, donde el sol que muerdo
calienta mis labios para protestar.

Bem de baixo

Eu sou bem de baixo e andei tropeçando
me virando na bad e no fim eu venci.
Pesou nas costas manter o meu caminho.
Me custou uns tapas, mas não desisti.

Lutei pela luz que tentaram me roubar
e se perdi algumas coisas, salvei o que é bom.
Hoje tenho orgulho de não me curvar.
De saber que ninguém me engana com ilusão.

Por isso meu tango nasceu rebelde.
Porque cansei de ver a galera aguentar.
Quando acredito em alguém, fico do seu lado.
E se estou na luta, não volto atrás.

E se é que minha vida
é cheia de altos e baixos,
tenho tanto asfalto,
que caio de pé.

Sou sangue rebelde, garoto de baixo.
Acredito nos meus braços, no que eles fazem.
E do lado esquerdo eu me desfaço,
quando uns olhões me olham demais.

Meu bairro e minha gente escutam meu grito
que aprendi a cantar na porrada.
Como um canto feroz, onde o sol que eu mordo
esquenta meus lábios pra eu protestar.

Composição: