Desde el tablón
Llené mi pecho con el aire del potrero.
Le di a la mala con la leña del tablón.
Y fue mi canto un estribillo futbolero.
El primer canto que grité de corazón.
No tuve nunca quien me diera mejor fiesta
que los domingos esperados como el sol.
Y este delirio de seguir mi camiseta
y la alegría reventando cada gol.
Si mi mejor juguete
fue redondo.
Y mano a mano,
nadie pudo más,
porque al final de cuentas sólo tuve
esa posible forma de ganar.
Mi infancia caminó por aquel cielo,
por tanto barro que debió esquivar.
Y todos los domingos vuelvo y vuelvo,
por el desquite que la vida no me da.
Yo vi los goles que se cuentan a los nietos
y las pifiadas que dan ganas de olvidar.
Rompí el carnet cuarenta veces, eso es cierto,
pero por eso no me han visto desertar.
Porque tuve berretines goleadores
y de este lado del alambre los colgué.
En cada grito voy soltando los mejores
pedazos de alma, que rodando amasijé.
Desde o banco
Enchi meu peito com o ar do campo.
Bati na sorte com a madeira do banco.
E foi meu canto um refrão de futebol.
O primeiro grito que soltei de coração.
Nunca tive quem me desse melhor festa
que os domingos esperados como o sol.
E essa loucura de seguir minha camisa
e a alegria explodindo a cada gol.
Se meu melhor brinquedo
era redondo.
E cara a cara,
ninguém foi melhor,
porque no final das contas só tive
essa forma possível de ganhar.
Minha infância caminhou por aquele céu,
pelo tanto barro que teve que desviar.
E todos os domingos eu volto e volto,
pelo desquite que a vida não me dá.
Eu vi os gols que se contam para os netos
e as falhas que dão vontade de esquecer.
Quebrei o cartão quarenta vezes, isso é verdade,
mas por isso não me viram desistir.
Porque tive manias de artilheiro
e deste lado da rede eu as pendurei.
Em cada grito vou soltando os melhores
pedacinhos da alma, que rolando amassei.