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Rosilha Veiaca

Henrique Abero

Fui destapar uma rosilha
Que era muito veiaca
Gritei pra o mano Antônio
Esta louca não me escapa
Já acomodei minhas garra
Vou arrastar pra mangueira
Me criei na lida bruta
Surrando égua caborteira

Trago uma veia charrua
Pulsando dentro de mim
Uso um sombreiro tapeado
Pra mostrar de onde eu vim
Sou crioulo da fronteira
Índio guapo e domador
Me agrada estender a potrada
Ao longo do corredor

Levo minha oito soco
Nos tento pra algum floreio
Faço verso no repete
Pros bolicho onde me apeio
Salto da alma a poesia
Pra quem quiser me escutar
E o ventena que é velhaco
Comigo vai se topar

Empeço a correr espora
Quando to arriba do basto
Deixando que esconda o toso
Roçando a cara no pasto
Dou lhe uma sova de relho
Quebro lhe o queixo á tirão
Fazendo esbarrar na grama
Depois que tá redomão

Oigalê te ofício macho
Que me sobrou de regalo
Pois aprendi a ciência
Dum potro, fazer cavalo
Enquanto bater cincerro
Na frente de uma tropilha
Vai existir um gaúcho
Da pura cepa caudilha


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