Protest Eines Denkmals
Links am korso stand ein torso,
Blickte kopflos vor sich hin;
Leicht verärgert über tauben
Dacht' er sich: wo führt das hin?
Ich steh' hier seit hundert jahren
In der gleichen position,
Kenn' die bänke und die paare
Und die denkmalskommission.
Und was tauben sich erlauben,
Das erwähnte ich ja schon.
Ertrage kälte und die hitze,
Selbst die hoffnungslosen witze
Über mich und feigenblatt,
Gott, hab' ich den krempel satt.
Selten dümmlich sind die kriege,
Ob nun mit, ob ohne siege,
Denn ich komm' in eine kiste,
Vorher noch auf eine liste.
Denk' an tauben, leb' im glauben,
Dass ich sie so überliste.
Ist die stadt dann fast zerhackt,
Werd' ich wieder ausgepackt,
Schmücke sinnlos die natur,
Gott, was sind die menschen stur.
Alles ist nur zu ertragen
Ohne kopf und ohne kragen,
Weitre klagen vorzutragen
Untersagt die diskretion.
Nur was tauben sich erlauben,
Das erwähnte ich ja schon.
Protesto de um Monumento
À esquerda no calçadão estava um torso,
Olhando sem cabeça para frente;
Levemente irritado com os pombos
Pensou: pra onde isso vai?
Estou aqui há cem anos
Na mesma posição,
Conheço os bancos e os casais
E a comissão do monumento.
E o que os pombos se permitem,
Isso já mencionei antes.
Suporto o frio e o calor,
Até as piadas sem esperança
Sobre mim e a folha de figo,
Deus, já estou farto dessa bagunça.
Raramente são inteligentes as guerras,
Seja com ou sem vitórias,
Pois eu vou pra uma caixa,
Antes ainda numa lista.
Penso nos pombos, vivo na crença,
Que assim eu os engano.
Se a cidade então estiver quase destruída,
Serei desempacotado de novo,
Enfeitando inutilmente a natureza,
Deus, como as pessoas são teimosas.
Tudo é só pra suportar
Sem cabeça e sem colarinho,
Reclamações longas a apresentar
Proibida pela discrição.
Só o que os pombos se permitem,
Isso já mencionei antes.