Barquitos de papel
Había en nuestros sueños delirios de distancia,
sabíamos que el agua corría rumbo al mar,
y hacíamos barquitos con hojas de esperanza
y vos eras la reina y yo era el capitán...
Si me parece verte con la mirada rubia,
detrás de la ventana seguir con interés,
por el cordón de piedra las aguas de la lluvia,
mientras yo fabricaba barquitos de papel.
¡Barquitos de papel, caminos para el mar!
Barquitos de papel y nunca regresar
de nuevo a la esperanza...
Tinieblas que es guiarse sin estrellas
por un mundo de hacechanzas...
Borrasca desatada en la mirada desvelada
y no poder dormir...
¡Barquitos de papel, ensueños fracasados
que vuelven de un pasado que no ha de volver!...
Yo anduve mucho tiempo mojado de miseria
y vos, al fin vencida, buscaste que comer...
Te dio un poco de rabia quedarte sin estrella
y mi me dio nostalgia pensar en la niñez...
Entonces no quisimos juntar nuestros caminos
y huimos con vergüenza pensando en el ayer,
y al fin nos encontramos, ¡caprichos del destino!,
boyando a la deriva sin saber por qué.
Barquinhos de papel
Havia em nossos sonhos delírios de distância,
sabíamos que a água corria rumo ao mar,
e fazíamos barquinhos com folhas de esperança
e você era a rainha e eu era o capitão...
Se eu te vejo com o olhar loiro,
detrás da janela, sigo com interesse,
pelo cordão de pedra, as águas da chuva,
enquanto eu fabricava barquinhos de papel.
Barquinhos de papel, caminhos para o mar!
Barquinhos de papel e nunca voltar
de novo à esperança...
Trevas que é se guiar sem estrelas
por um mundo de armadilhas...
Tempestade desatada no olhar desvelado
e não conseguir dormir...
Barquinhos de papel, sonhos fracassados
que voltam de um passado que não há de voltar!...
Eu andei muito tempo molhado de miséria
e você, ao fim vencida, buscou o que comer...
Te deu um pouco de raiva ficar sem estrela
e me deu nostalgia pensar na infância...
Então não quisemos juntar nossos caminhos
e fugimos com vergonha pensando no ontem,
e ao fim nos encontramos, caprichos do destino!,
boyando à deriva sem saber por quê.
Composição: Homero Expósito / Virgilio Exposito