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Pólos

Homero Expósito

Polos

Se nota la distancia tu risa y mi tristeza,
tu anhelo de distancia, mi amor por el bulín.
Si vos naciste rica, yo en cambio en la pobreza,
y si es por apellidos, que el mío hable por mí.

La curda en tu costumbre se aburre por absurda
y si al final no niego que en mí también se da,
la diferencia es ésta: que a veces no estás curda
y yo por vos me suelo encurdelar.

Vos te creés que la vida es pura farra:
-siempre la jarra
con vino puro-.
Y yo pienso en la hormiga y la cigarra:
-meta guitarra
que yo laburo-.
Vos no querés bajar hasta las cosas
ni entender lo lindo que es vivir al sur,
en cambio a mi me gustan sus baldosas,
la gente y la ruidosa
barra de mi club...

Tal vez cuando sea tarde te asomes a la vida
y entiendas la simpleza del barrio en que nací,
las calles arboladas, los saltos del tranvía,
y el místico respeto que tienen para ti.
¿No ves que siempre una subida al campanario
y el aire que está dulce cuando el jazmín es flor?
Dejate de locura, salí a comprarme el diario
y preparame el mate que en eso está el amor.

Pólos

Se nota a distância, sua risada e minha tristeza,
seu desejo de distância, meu amor pelo agito.
Se você nasceu rica, eu, por outro lado, na pobreza,
e se for por sobrenomes, que o meu fale por mim.

A bebedeira na sua rotina se torna chata e absurda
e se no final eu não nego que em mim também rola,
a diferença é essa: que às vezes você não tá bêbada
e eu por você me embriago à toa.

Você acha que a vida é só farra:
-sempre a jarra
com vinho puro-.
E eu penso na formiga e na cigarra:
-meta guitarra
que eu trabalho-.
Você não quer descer até as coisas
e entender o quão lindo é viver no sul,
mas eu gosto das suas calçadas,
a galera e a barulhenta
barra do meu clube...

Talvez quando for tarde você olhe pra vida
e entenda a simplicidade do bairro onde nasci,
as ruas arborizadas, os saltos do bonde,
e o místico respeito que têm por você.
Não vê que sempre tem uma subida pro campanário
e o ar que tá doce quando o jasmim é flor?
Para com essa loucura, sai pra me comprar o jornal
e prepara o mate que é nisso que tá o amor.

Composição: Virgilio Exposito / Homero Expósito