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Sua casa já não está

Homero Expósito

Tu casa ya no está

Aquella juventud de la emoción primera,
aquella enredadera
de rosa y parral...
Ya son como el perfume de un libro muy viejo,
ya sólo recuerdos,
tu casa ya no está...
Si me parece ver aquel rondín de niños
rondando un aljibe
de luna al brocal,
y allí en el viejo patio de olor a jazmines
frenar en la rayuela
las ansias de andar.

Ya no vendrás con tus ojos de trigo,
ya no tendrás el vestido de percal...
El ayer... el ayer ha partido,
tus ojos se han dormido,
tu casa ya no está...
Ya no hablarán tus muñecas de trapo
ni el agua mansa del último adiós.
Tú, que podías traerme el ayer,
te has marchado con tu aroma de flor.

Eterna soledad la de mis ojos claros,
buscaron y buscaron
poder olvidar,
y hoy llenas de regreso y de angustia las manos
encuentro que en el barrio
tu casa ya no está...

Eterna soledad la de mis ojos tristes,
te llaman en la ausencia
del patio otoñal,
y sufren el silencio de un sueño lejano
llorando aquellos años
que no volverán.

Sua casa já não está

Aquela juventude da emoção primeira,
aquela trepadeira
de rosa e parreira...
Já são como o perfume de um livro bem velho,
já só lembranças,
sua casa já não está...
Se me parece ver aquele grupo de crianças
cercando um poço
de lua no bocal,
e ali no velho pátio com cheiro de jasmim
parar na amarelinha
a vontade de andar.

Já não virá com seus olhos de trigo,
já não terá o vestido de chita...
O ontem... o ontem se foi,
s seus olhos se apagaram,
sua casa já não está...
Já não falarão suas bonecas de pano
e a água mansa do último adeus.
Você, que podia me trazer o ontem,
se foi com seu aroma de flor.

Eterna solidão a dos meus olhos claros,
procuraram e procuraram
poder esquecer,
e hoje cheias de retorno e de angústia as mãos
encontro que no bairro
a sua casa já não está...

Eterna solidão a dos meus olhos tristes,
te chamam na ausência
do pátio outonal,
e sofrem o silêncio de um sonho distante
chorando aqueles anos
que não voltarão.

Composição: Homero Expósito, Virgilio Exposito