Discepolín
Sobre el mármol helado, migas de medialuna
y una mujer absurda que come en un rincón ...
Tu musa está sangrando y ella se desayuna ...
el alba no perdona ni tiene corazón.
Al fin, ¿quién es culpable de la vida grotesca
y del alma manchada con sangre de carmín?
Mejor es que salgamos antes de que amanezca,
antes de que lloremos, ¡viejo Discepolín!...
Conozco de tu largo aburrimiento
y comprendo lo que cuesta ser feliz,
y al son de cada tango te presiento
con tu talento enorme y tu nariz;
con tu lágrima amarga y escondida,
con tu careta pálida de clown,
y con esa sonrisa entristecida
que florece en verso y en canción.
La gente se te arrima con su montón de penas
y tú las acaricias casi con un temblor...
Te duele como propia la cicatriz ajena:
aquél no tuvo suerte y ésta no tuvo amor.
La pista se ha poblado al ruido de la orquesta
se abrazan bajo el foco muñecos de aserrín...
¿No ves que están bailando?
¿No ves que están de fiesta?
Vamos, que todo duele, viejo Discepolín...
Discepolín
Sobre o mármore gelado, migalhas de croissant
E uma mulher estranha que come num canto ...
Sua musa está sangrando e ela se serve do café da manhã ...
A aurora não perdoa e não tem coração.
No fim, quem é culpado pela vida grotesca
E pela alma manchada com sangue de carmim?
É melhor sairmos antes que amanheça,
Antes que choremos, velho Discepolín!...
Conheço seu longo tédio
E entendo o quanto é difícil ser feliz,
E ao som de cada tango eu te sinto
Com seu talento enorme e seu nariz;
Com sua lágrima amarga e escondida,
Com sua máscara pálida de palhaço,
E com esse sorriso entristecido
Que floresce em verso e em canção.
A galera se aproxima com seu monte de tristezas
E você as acaricia quase com um tremor...
Te dói como se fosse sua a cicatriz alheia:
Aquele não teve sorte e essa não teve amor.
A pista se enche ao som da orquestra
Se abraçam sob a luz bonecos de serragem...
Você não vê que estão dançando?
Você não vê que estão de festa?
Vamos, que tudo dói, velho Discepolín...